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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 122

Ele soltou uma risada fria.

— Ajudar vocês? Ajudar a jogar esse lixo no lugar certo, como fizemos no Clube Central?

As palavras afiadas como navalhas não tinham um pingo de pena.

Se ele não tivesse ouvido o nome "Cecília" sair da boca dela há poucos minutos, ele sequer teria perdido seu tempo olhando para aquele pedaço de lixo.

Com uma mão no bolso, Sebastião já tinha preguiça de continuar encarando Liliane e virou-se para entrar no restaurante.

De repente, o olhar dele travou em um ponto específico. E, num piscar de olhos, o mar de gelo naqueles olhos amendoados derreteu, dando lugar a um brilho quente e vibrante.

Seus lábios finos se curvaram lentamente num sorriso. Toda a aura letal e fria que o cercava sumiu, substituída por uma postura leve e incrivelmente suave.

Como a neve derretendo sob o sol, ele parecia um deus descendo à terra.

A mudança foi tão drástica que era impossível não notar.

Liliane ficou paralisada por um segundo.

E então, ela viu Sebastião Guimarães acelerar os passos, caminhando em linha reta na direção de alguém.

Uma garota de calça e camiseta branca estava parada perto de uma grade entalhada, com uma das mãos no bolso. Em meio àquele cenário luxuoso e extravagante, suas roupas eram simples até demais. E mesmo assim, nada conseguia esconder a aura pura e inatingível que ela exalava.

Era Cecília!

Os olhos de Liliane quase saltaram das órbitas ao ver Sebastião caminhar rapidamente até ela, com um sorriso irresistível tomando conta de todo o seu rosto.

As pupilas dela se contraíram violentamente.

A diferença entre o desprezo absoluto que Sebastião mostrou a ela e o calor com que ele recebia Cecília...

Foi como um tapa dado com força no meio da sua cara.

O choque para os outros membros da família Mendes foi ainda maior do que o de Liliane.

Da última vez, quando Bento Mendes e Liliane foram enxotados do Clube Central, eles só tiveram coragem de culpar Cecília. Não ousaram mencionar o nome de Sebastião Guimarães nem por um segundo.

Primeiro, porque acreditavam que Cecília não tinha a menor capacidade de se aproximar de alguém do nível dele.

Segundo... porque como eles poderiam admitir que, após ser expulsa da família Mendes, Cecília estaria vivendo muito melhor? E que ainda seria íntima de Sebastião Guimarães, alguém que eles não podiam sequer sonhar em tocar?

O rosto de Flávia Passos estava verde. Ela agarrou o braço de Ricardo Mendes.

— Querido, co... como pode ser a Cecília? Como... como ela pode conhecer o herdeiro da família Guimarães?!

Ricardo Mendes forçou o sorriso mais bondoso e amoroso que conseguiu e começou a acenar loucamente para Cecília.

— Foi tudo um mal-entendido! Se a Ceci é amiga do Sr. Cristo Viana, então as coisas ficam muito mais fáceis!

Ele tentou correr na direção dela enquanto falava.

Mas, antes que pudesse passar da porta, dois seguranças o barraram com brutalidade.

O diretor Guilherme Silva se aproximou a passos largos, com o rosto sombrio.

— Peço desculpas, Sr. Mendes. A sua família inteira foi banida do Palácio do Luar.

— Ceci... que história é essa de banida? Já que você conhece o Sr. Cristo Viana, fala com ele por nós! Isso é só um grande mal-entendido! — Ricardo sorriu amarelo para ela.

O diretor Guilherme Silva olhou para Cecília, aguardando ordens.

O Sr. Cristo Viana também suavizou a expressão ao se virar para a garota, com um tom bem mais amigável.

— Srta. Cecília, aquelas pessoas ali...

— Não os conheço. — Cecília ergueu levemente os olhos. Sua voz era o puro gelo do descaso. — Seu Guilherme, sobre a difamação, a destruição de propriedade e a perturbação da ordem pública... faça o que tem que ser feito, dentro da lei.

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