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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 107

— Ela está estável por enquanto. — Com a crise superada, Cecília guardou as agulhas e limpou os dedos lentamente com um lenço umedecido. — Ela tem uma fraqueza congênita no coração. O que aconteceu foi desencadeado por um estímulo emocional intenso.

O olhar de Sebastião Guimarães estava cravado em Vânia Guimarães. Ao ver o rosto da garota voltar a ter cor e a respiração ficar tranquila, os punhos, que ele mantinha cerrados até aquele momento, finalmente relaxaram.

Ele abaixou levemente o olhar, que agora pousava nas mãos da garota enquanto ela limpava os dedos. Eram dedos frios, brancos, finos e de articulações belíssimas.

Ele curvou os lábios, a escuridão em seus olhos escondendo uma emoção profunda.

— Muito obrigado.

Cecília jogou o lenço úmido na lixeira, pegou sua bolsa de lona e ergueu o olhar de forma indiferente.

— Não precisa agradecer.

— Como não precisaria? — Sebastião Guimarães ergueu os olhos amendoados e sedutores, com um brilho quase perigoso que deixava seu rosto, antes frio e inalcançável, ainda mais pecaminoso. — A nossa médica genial, Cecília, trabalhou duro hoje. Olhando para a hora, o que acha de... jantarmos juntos?

Cecília olhou para o relógio.

— Não vai rolar. Tenho um jantar de família. Preciso ir.

Enquanto falava, ela abriu o zíper da bolsa, tirou um frasco de porcelana que parecia perfeitamente comum e o entregou a Sebastião Guimarães.

O frasco não tinha nenhum rótulo. Apenas exalava um leve aroma herbal de remédio.

— Tome isso. Uma pílula por dia. Serve para proteger e fortalecer as vias do coração da sua irmã. Tem a quantidade para um mês. Quando ela terminar de tomar, o coração estará mais forte e as bases recuperadas. Aí sim, podemos pensar em um tratamento de medicina tradicional contínuo para a cura definitiva.

Sebastião Guimarães estendeu a mão para pegar. Seus dedos longos pareceram encostar na ponta dos dedos de Cecília "sem querer".

Uma sensação de choque elétrico a atingiu.

Fez cócegas.

Os dedos de Cecília recuaram levemente por puro reflexo.

Ela levantou a cabeça bruscamente, encontrando-se com os olhos do homem, que ondulavam como as águas da primavera, cheios de uma luz fascinante.

Aquele rosto frio, de beleza celestial, estava a milímetros de distância.

— Eu te levo.

— Não precisa. Fique aqui com a sua irmã. Ela deve... acordar daqui a pouco. — Cecília recusou mais uma vez, esticando as longas pernas e andando sem olhar para trás. — O Seu Luccas está com o carro.

O mordomo Luccas acenou com a cabeça repetidas vezes para Sebastião Guimarães e saiu correndo atrás de Cecília.

Na UTI, restaram apenas Sebastião Guimarães e Benício Soares.

Sebastião Guimarães estreitou os olhos cor de obsidiana, encarando a direção em que a garota desapareceu, com um olhar profundo e indecifrável.

Seus dedos longos acariciavam o frio frasco de porcelana em sua mão.

Como se o vidro ainda carregasse o calor da mão da garota.

— Deixa eu ver. Que tipo de pílula é essa, tão milagrosa? — Benício Soares esticou o pescoço, olhando curioso para o frasco na mão de Sebastião. — A doença da Vânia é grave. Quantos médicos nós já consultamos e nenhum conseguiu dar um jeito nisso? Qualquer estímulo e o coração da Vânia entra em colapso.

Ele estava muito curioso. Como aquela garotinha absurdamente bonita tinha tanta confiança de que um produto caseiro, sem rótulo e sem procedência, conseguiria estabilizar o coração da Vânia?

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