Quarenta minutos depois, o carro chegou ao centro de reabilitação.
Quando Yago desceu, viu, pelo canto dos olhos, a silhueta de um carro que lhe era bem familiar.
Ele parou por um segundo. Nicolas também tinha ido até ali?
Carolina, ainda dentro do carro, acompanhou o olhar dele e também viu o carro de Nicolas.
Na mesma hora, o rosto dela se fechou.
— Vamos subir primeiro, depois a gente vê isso. — Yago abriu a cadeira de rodas e ajudou Carolina a se sentar.
Depois que ela se acomodou, Yago puxou uma manta e cobriu cuidadosamente as pernas dela.
O cuidado dele não parecia forçado. Aquilo vinha de um gesto automático, de hábito.
Carolina achou que todo médico fosse assim atencioso e não deu muita importância.
…
O quarto de Mateus ficava no vigésimo andar, em uma suíte individual de altíssimo padrão.
Yago já tinha avisado com antecedência, então, quando eles saíram do elevador, o médico-chefe responsável por Mateus já estava ali, à espera, junto com a equipe.
Depois das apresentações de praxe, o médico os guiou até o quarto de Mateus.
No caminho, eles não viram Nicolas em lugar nenhum.
Yago ficou com aquilo na cabeça, preocupado, mas não deixou nada transparecer no rosto.
O quarto tinha uma decoração acolhedora, em tons quentes, lembrando um quarto de hotel cinco estrelas. Tudo ali era bem equipado, confortável e silencioso.
O médico-chefe, um homem de pouco mais de quarenta anos, começou a repassar para Carolina os dados dos exames que Mateus tinha feito naquele último mês.
Ele não deixou passar o olhar nervoso do médico, mas ele não confrontou ninguém ali. Não queria espantar a presa antes da hora.
Dentro do quarto, Carolina segurou a mão de Mateus e falou com a voz trêmula:
— Mano, eu errei. Só hoje eu entendi o quanto eu errei feio. Naquela época, você ficou muito bravo comigo, não ficou? Me desculpa, por favor. Eu fui irresponsável demais. Você pode acordar? Eu juro que agora eu cresci, eu amadureci, eu não vou mais correr atrás do Nicolas feito uma cega. Você não precisa se preocupar comigo desse jeito. Daqui pra frente, eu prometo que vou ouvir você direitinho. Acorda, por favor…
— Mano, eu tô tão cansada… — Carolina se deitou sobre o peito dele, e o choro dela veio carregado de desespero. — Esses oito anos todos, eu fiquei me segurando à força. Eu só pensava em criar o Rowan, em esperar ele crescer, ficar forte o bastante pra andar com as próprias pernas, e aí eu ia levar você pra encontrar o pai e a mãe… Mas até o Rowan crescer de verdade, ainda falta tanto tempo. Eu tô quase não aguentando mais…
— Mano, eu me arrependo. Amar o Nicolas… Disso eu realmente me arrependo. Acorda e briga comigo, vai? Dessa vez eu prometo que não vou responder, eu vou aceitar tudo o que você falar. Eu vou obedecer você, eu juro. Mano… Mano, acorda, por favor… Por favor, acorda e fica comigo… — O choro dela se quebrou em soluços. — Acorda e fica comigo um pouco…
O choro da mulher encheu o quarto por muito tempo. Mas o homem deitado na cama não teve a menor reação.
Ele continuava ali, em coma, havia oito anos inteiros, preso a máquinas e medicamentos que mantinham o coração batendo. Do que acontecia do lado de fora, ele não sabia de nada.
Ele não sabia que a irmã caçula, que ele tinha criado com tanto cuidado e carinho, oito anos depois, tinha acabado se casando justamente com o homem que ele, desde o começo, mais rejeitara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Últimos capítulos todos pela metade, muito triste....
Sinceramente, nojo da Valentina e de todos os adultos dessa história. Descontar frustração e mágoa em uma criança de 5 anos que desde o começo é perceptível a manipulação sobre ela, argh, só me dá asco! Alguém Pedir pra escolher entre uma criança ou a si? Sinceramente, tão lixo quantos os outros."Redenção" baseada em frieza e irresponsabilidade afetiva com criança não me desse. Não leiam, não vale a pena, a não ser q pra vc atitudes assim tenham justificativa em nome do amadurecimento...
Sinceramente, nojo da Valentina e de todos os adultos dessa história. Descontar frustração e mágoa em uma criança de 5 anos que desde o começo é perceptível a manipulação sobre ela, argh, só me dá asco! Alguém Pedir pra escolher entre uma criança ou a si? Sinceramente, tão lixo quantos os outros."Redenção" baseada em frieza e irresponsabilidade afetiva com criança não me desse. Não leiam, não vale a pena, a não ser q pra vc atitudes assim tenham justificativa em nome do amadurecimento...
Sinceramente, nojo da Valentina e de todos os adultos dessa história. Descontar frustração e mágoa em uma criança de 5 anos que desde o começo é perceptível a manipulação sobre ela, argh, só me dá asco! Alguém Pedir pra escolher entre uma criança ou a si? Sinceramente, tão lixo quantos os outros."Redenção" baseada em frieza e irresponsabilidade afetiva com criança não me desse. Não leiam, não vale a pena, a não ser q pra vc atitudes assim tenham justificativa em nome do amadurecimento...
Escritor vc nunca teve filhos? Que maldade é essa com essa criança? Rejeitada por todos, só tem 5 anos. Amolece o coração desses seus personagens pq é impossível existir pessoas tão escritas assim. Afinal....
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...