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Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais romance Capítulo 886

Carolina afastou o cobertor, virou o corpo e ficou deitada de costas. Ela encarou o teto, com o coração completamente vazio, como se tudo dentro dela tivesse morrido.

Do lado de fora do quarto, Nicolas ligou para o assistente:

— Me traz uma muda de roupa limpa e também o meu notebook.

Matheo respondeu:

— Tá bom.

— E leva a Suelen pra fora do país. Diz que eu vou bancar os estudos dela lá fora. Quando ela voltar formada, eu vou passar a empresa inteira pra ela administrar.

Matheo ficou chocado:

— Você tá falando sério?

— Primeiro só garante que ela vá embora. — Nicolas não explicou muita coisa.

Suelen, se ficasse no país, seria uma bomba-relógio. Carolina, do jeito que ela estava agora, não aguentaria levar outra pancada.

Do outro lado da linha, Matheo falou:

— Tá, eu já vou resolver isso agora.

Quando Nicolas desligou, levou a mão e apertou a região entre as sobrancelhas. Só que, assim que ele ergueu o braço, o movimento puxou o ferimento nas costas e a dor fez com que a respiração dele ficasse subitamente ofegante.

Ele se sentou na cadeira do corredor, sentindo o corpo um pouco frio. Levou a mão à gola da camisa e abriu dois botões. Só assim ele sentiu que conseguia respirar um pouco melhor.

Quando Matheo chegou, Nicolas estava recostado na cadeira, de olhos fechados. Aquele rosto bonito e frio, sempre impecável, naquele momento finalmente deixava ver um traço raro de exaustão. Na barra da calça e nos sapatos sociais pretos, ainda tinha manchas secas de canja, completamente destoando do ar de homem sofisticado que ele costumava ter.

Matheo tinha seguido Nicolas por tantos anos, e aquela tinha sido a primeira vez que ele via Nicolas tão abatido e descomposto.

— Sr. Nicolas. — Matheo caminhou até ele, levantou a mão e deu dois tapinhas leves no ombro dele. — Sr. Nicolas?

Nicolas despertou, abriu os olhos devagar. O cérebro dele levou alguns segundos para voltar completamente ao foco.

— Você chegou. — Ele levantou a mão e apertou de novo a região entre as sobrancelhas. Só quando ele falou é que ele percebeu como a garganta doía. A dor fez com que ele franzisse a testa sem perceber.

Matheo também percebeu que ele estava estranho, principalmente pela voz dele, rouca ao extremo.

— Sr. Nicolas, você tá passando mal? — Matheo perguntou em voz baixa. — Quer que eu chame um médico pra dar uma olhada em você?

— Não precisa, eu tô bem.

Nicolas se apoiou na parede para se levantar. O corpo alto dele, porém, balançou de leve, como se ele não tivesse total controle sobre as próprias pernas.

Matheo se assustou. Ele se apressou em segurar Nicolas pelos braços:

— Sua cara não tá boa, não. Você tem certeza de que não quer que um médico te examine?

Assim que ele saiu do banheiro, o olhar dele foi imediatamente para a cama. Carolina ainda dormia profundamente.

Ele caminhou até o lado da cama com os passos bem leves e se sentou ali.

Naqueles dias, ele só conseguia ver Carolina assim: aproveitando o sono dela para entrar escondido no quarto.

Ele não tinha ido a lugar nenhum. Tudo o que dizia respeito à empresa e ao caos na internet, ele tinha passado para Matheo resolver.

Carolina agora tratava ele com extrema frieza. Ele sabia muito bem que ele tinha culpa, e por isso ele não se sentia no direito de reclamar de nada.

Mas ele não ia aceitar o divórcio.

Ele sabia que, se assinasse o divórcio, naquela vida ele e Carolina iam se perder de vez um do outro.

A vida era tão longa assim. Ia ser mesmo pra passar o resto dos anos todos separados, como dois estranhos que se cruzaram e nunca mais se viram?

Nicolas olhou para o rosto adormecido de Carolina. No olhar dele, surgiu um brilho teimoso, quase obsessivo.

Não. Ele não queria perder ela assim.

Yago apareceu trazendo um buquê de lírios perfumados para ver Carolina.

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