A noite estava escura como tinta. O que deveria ser uma madrugada tranquila foi rasgada por raios e trovões que iluminaram o céu como uma tela despedaçada. Logo, o barulho da chuva torrencial tomou conta da casa, enquanto gotas grossas batiam nas janelas com força.
Os gritos de Carolina foram engolidos pelo rugido ensurdecedor dos trovões.
O som da água respingando preencheu o banheiro enquanto Carolina, completamente ensopada, estava sendo forçada contra a borda rígida da banheira. Seus cabelos molhados estavam entrelaçados na mão de Nicolas, que a segurava com uma brutalidade desesperada. Seus pulsos delicados estavam presos sob a força implacável dele.
Os apelos de Carolina foram silenciados quando Nicolas esmagou sua boca com um beijo agressivo e violento. Naquele instante, uma sensação de desespero absoluto tomou conta dela, o tipo de desespero sufocante que faz a vida parecer escorrer pelos dedos.
Lágrimas correram por seu rosto pálido, misturando-se com a água que escorria de seu cabelo. O coração, que há instantes batia freneticamente, parecia ter parado por completo. Tudo ao seu redor ficou em silêncio, como se um vazio estivesse engolindo o mundo.
Enquanto o caos da tempestade dominava a cidade lá fora, o interior do banheiro se tornou testemunha de um ato unilateral de dor e destruição. Era uma cena repleta de cicatrizes invisíveis e marcas que ficariam eternamente gravadas na alma de Carolina.
Quando Nicolas percebeu que algo estava errado, já era tarde. Carolina estava inconsciente, caída na banheira. Seu corpo estava imóvel, e sua respiração, inexistente. O cérebro de Nicolas entrou em colapso por alguns segundos, incapaz de processar o que estava diante dele.
— Carolina? — Sua voz ecoou no banheiro, mas não recebeu resposta.
O corpo dela deslizou ainda mais para dentro da água fria, e suas narinas ficaram submersas. As pupilas de Nicolas se dilataram de pânico. Seu coração trovejou forte o suficiente para rivalizar com a tempestade lá fora.
Ele rapidamente a puxou para fora da banheira, desesperado, e a deitou no chão frio de mármore. Carolina estava letárgica, os lábios roxos e seu rosto pálido como a lua escondida pela tempestade. Sangue manchava o canto de sua boca rachada.
— Droga, Carolina! Não!
Nicolas arrancou a toalha do suporte com as mãos trêmulas e envolveu seu corpo frágil. Ele a colocou no chão e de joelhos ao lado dela, começou a fazer massagem cardíaca.
— Acorda, Carolina! Você não pode fazer isso comigo, acorda!
Ele alternou entre compressões no peito e respiração boca a boca, mas ela não respondia.
— Por favor, Carolina, abre os olhos. Por favor... — Sua voz falhou, revelando uma vulnerabilidade rara enquanto seus dedos tremiam sobre o rosto dela.
Por fim, um som engasgado ecoou pelo banheiro. Carolina tossiu e retomou a respiração. Seus olhos se abriram lentamente, enquanto Nicolas congelava no lugar.
— Graças a Deus... — Ele murmurou, aliviado, ajudando-a a se sentar com cuidado.
— Está tudo bem agora. Você está bem... — Ele repetiu como um mantra, mas sua voz logo foi interrompida pela falta de resposta nos olhos de Carolina.
Carolina soltou um leve sorriso amargo. Ela tentou mexer a boca, mas o pequeno gesto irritou o ferimento em seu rosto, causando uma dor aguda que a fez franzir a testa.
Ela não conseguiu encará-lo por mais tempo. Preferiu fechar os olhos, permitindo que sua mente se afastasse daquela realidade cruel e mergulhasse na escuridão do inconsciente. Sua respiração deu lugar a um silêncio sufocante.
Nicolas chamou pelo nome dela repetidas vezes, mas não houve resposta. Cada vez que dizia seu nome, era como se estivesse tentando acordá-la de um pesadelo, mas ela não respondia.
Sem outra escolha, ele passou a mão pelo rosto, agora molhado de suor e angústia, e a pegou no colo. Saiu do banheiro sem se importar com o estado do quarto, que estava às escuras.
A porta permanecia entreaberta, ainda danificada por sua entrada anterior. Do lado de fora, Tales não ousou se aproximar. Ele entendia que algo terrível havia acontecido, mas preferiu não testemunhar aquela cena trágica.
Ainda assim, Tales sabia que precisava agir. Ele pegou o celular e fez uma ligação urgente para a casa da família Pires. Samanta e Ilídio já estavam a caminho.
No quarto, Nicolas colocou Carolina sobre a cama, com todos os gestos de cuidado que não demonstrara antes. Ele foi até o closet, encontrou um pijama limpo e vestiu Carolina com o máximo de delicadeza que conseguiu reunir.
Depois de garantir que ela estava coberta, Nicolas voltou ao banheiro. Pegou suas próprias roupas molhadas do chão e as vestiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Últimos capítulos todos pela metade, muito triste....
Sinceramente, nojo da Valentina e de todos os adultos dessa história. Descontar frustração e mágoa em uma criança de 5 anos que desde o começo é perceptível a manipulação sobre ela, argh, só me dá asco! Alguém Pedir pra escolher entre uma criança ou a si? Sinceramente, tão lixo quantos os outros."Redenção" baseada em frieza e irresponsabilidade afetiva com criança não me desse. Não leiam, não vale a pena, a não ser q pra vc atitudes assim tenham justificativa em nome do amadurecimento...
Sinceramente, nojo da Valentina e de todos os adultos dessa história. Descontar frustração e mágoa em uma criança de 5 anos que desde o começo é perceptível a manipulação sobre ela, argh, só me dá asco! Alguém Pedir pra escolher entre uma criança ou a si? Sinceramente, tão lixo quantos os outros."Redenção" baseada em frieza e irresponsabilidade afetiva com criança não me desse. Não leiam, não vale a pena, a não ser q pra vc atitudes assim tenham justificativa em nome do amadurecimento...
Sinceramente, nojo da Valentina e de todos os adultos dessa história. Descontar frustração e mágoa em uma criança de 5 anos que desde o começo é perceptível a manipulação sobre ela, argh, só me dá asco! Alguém Pedir pra escolher entre uma criança ou a si? Sinceramente, tão lixo quantos os outros."Redenção" baseada em frieza e irresponsabilidade afetiva com criança não me desse. Não leiam, não vale a pena, a não ser q pra vc atitudes assim tenham justificativa em nome do amadurecimento...
Escritor vc nunca teve filhos? Que maldade é essa com essa criança? Rejeitada por todos, só tem 5 anos. Amolece o coração desses seus personagens pq é impossível existir pessoas tão escritas assim. Afinal....
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...