— Pai, todas as informações que encontrei foram na internet. Hoje em dia é difícil saber o que é verdade, nem mesmo a Inteligência Artificial é confiável. Como eu ia adivinhar que não estava falando com a verdadeira associação farmacêutica local... E aquela mutação do dendróbio... O setor inteiro estava comentando sobre isso na época. Como eu poderia saber que era mentira?
Sylvia chorava copiosamente, com o rosto banhado em lágrimas, tentando transmitir uma imagem vulnerável e digna de pena.
— Por acaso... uma mera estudante universitária como eu teria capacidade de se envolver com as milícias armadas locais no México? A minha irmã está me superestimando.
Enquanto falava, Sylvia revirava os olhos, lançando olhares furtivos para Deise.
Afinal, divulgar as notícias falsas sobre a mutação do dendróbio na internet, fingir ser membros da associação mexicana e tudo o mais, havia sido obra de pessoas contratadas por Victória.
Mesmo que a culpa recaísse sobre ela, seria apenas por não ter feito uma verificação de antecedentes adequada.
Quanto a sequestro ou assassinato, nada daquilo tinha a ver com ela.
Ao ver Sylvia chorar de forma tão dilacerante, Rafael soltou um suspiro pesado.
— Está bem, já chega. Felizmente a Deise não sofreu nada grave e a Sylvia não fez isso de propósito.
Disse Rafael, estendendo a mão para dar uns tapinhas no ombro de Sylvia em sinal de conforto.
— Você é muito nova, mal entrou no mercado de trabalho e ainda tem pouca vivência. É normal que acabe sendo enganada pelas informações da internet por falta de experiência.
Ao ouvir as palavras de Rafael, Sylvia respirou aliviada em silêncio, percebendo que havia conseguido se safar daquela enrascada.
O único lamento era que Deise tivesse conseguido sobreviver a uma provação daquelas num lugar como o México.
Quanto mais Sylvia pensava naquilo, mais se sentia frustrada, trincando os dentes.
A culpa era toda daquela inútil da Victória. Que tipo de pessoas ela havia contratado? Eram uns verdadeiros incompetentes!
— Pai, a Sylvia realmente pode ser inexperiente, mas um erro profissional não pode passar impune. Se não, como é que essa empresa será administrada no futuro?
Interveio Deise, de maneira calma e imperturbável.
Sylvia fuzilou Deise com o olhar.
Ela sabia que Deise não a deixaria em paz tão facilmente.
Rafael olhou para Deise.
— Você só pode estar brincando comigo?!
Dez anos?
Quantas décadas mais de vida ela teria pela frente?!
— Pai, você não pode concordar com a minha irmã! Eu estou quase terminando a faculdade, e você tinha me prometido que, quando eu me formasse, me arranjaria um bom lugar na empresa...
— Trabalhar na base para ganhar experiência também é fazer parte da empresa. O papai não está quebrando a promessa dele.
Deise interrompeu Sylvia, abrindo um sorriso largo na direção dela.
Aquele sorriso bateu no rosto de Sylvia como um tapa, enfurecendo-a tanto que a sua vontade era de dar uma bofetada em Deise.
Mas ela, infelizmente, não podia fazer isso.
O silêncio reinou na sala de reuniões.
Na verdade, havia muitas pessoas ali, incluindo os membros da equipe de inspeção que por pouco não haviam perdido a vida no México.

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