Deise levou um susto, apenas para ouvir uma voz magnética e familiar soando perto do seu ouvido:
— Não se assuste, sou eu.
Deise afastou as mãos de William.
Ela estava pronta para lhe dar uma bronca, mas, ao se deparar com um imenso buquê de vibrantes rosas David Austin, as palavras que estavam na ponta de sua língua suavizaram consideravelmente.
— Por que me assustar desse jeito, francamente...
— Desculpe, eu só queria te fazer uma surpresa.
Deise pegou o volumoso buquê das mãos de William e inalou a fragrância das flores, sentindo o humor melhorar instantaneamente.
— O fato de você aparecer do nada já é uma surpresa e tanto.
William pareceu surpreso ao ouvir isso, e seu semblante relaxou ainda mais.
— Então quer dizer... que eu sou mais bonito que as rosas?
Enquanto falava, William se aproximou de Deise e abaixou ligeiramente a cabeça.
As testas dos dois estavam quase se tocando.
Deise encarou o rosto de William.
Era um rosto de traços fortes e olhos expressivos, dotado de uma beleza excepcional.
— É, você é só um pouquinho mais bonito que as rosas.
Recebendo um elogio sobre a sua aparência, os lábios de William se curvaram em um sorriso quase imperceptível.
— Vamos, minha mulher. Vim te buscar para irmos para casa.
Percebendo que jamais conseguiria impedir William de chamá-la daquele jeito o tempo todo, Deise deu de ombros, conformada.
— A propósito, eu não disse antes que voltaria dirigindo sozinha?
— Mas eu estava com saudades de você... e queria te ver o quanto antes.
Enquanto dirigia, William proferia aquelas palavras afetuosas. Embora seu tom fosse suave, carregava uma sinceridade profunda.
Deise não respondeu, mas um sorriso radiante de contentamento floresceu em seu rosto.
William sempre era muito silencioso ao volante, e Deise não gostava de interrompê-lo.
Puxar assunto à toa era completamente desnecessário.
Mesmo assim, o ar entre os dois não era frio, pelo contrário, transmitia uma sensação acolhedora de calor.
Caminhando de mãos dadas até entrarem no apartamento, assim que William digitou a senha e abriu a porta, Deise quase achou que havia entrado no lugar errado.
— Que diabos é isso?
Deise arregalou os olhos.
Se o jogo de cama fosse trocado por um conjunto vermelho-vivo, qualquer pessoa desavisada juraria que ela e William haviam acabado de se casar!
De qualquer forma, a nova ambientação da casa era definitivamente mais agradável para o dia a dia, esbanjando muito mais vida e calor humano.
William segurou a mão de Deise e a conduziu até a suíte principal.
A roupa de cama da suíte, obviamente, também havia sido trocada, sendo substituída por um conjunto da Peppa Pig.
Deise ficou totalmente em choque.
William observava a expressão de Deise furtivamente. Estava claro que ela não havia ficado nem um pouco satisfeita com a escolha daquela roupa de cama.
— Por acaso... eu escolhi a estampa errada?
Ao ver o tom cuidadoso com que William fez a pergunta, Deise não conseguiu se segurar e caiu na gargalhada.
— Você escolheu isso?
Deise perguntou, apontando para o conjunto de lençóis da Peppa Pig.
— Sim.
William assentiu honestamente, apenas para ver Deise soltar mais um riso descontrolado.
— É que, como você usa aquele pijama da Peppa Pig, achei que gostasse de estampas de desenhos animados...
Com a explicação de William, Deise compreendeu que ele havia se esforçado para adivinhar os gostos dela e comprado os lençóis especialmente para agradá-la.

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