— Agora você já deve saber se eu estava morrendo de ciúme ou não.
Deise soltou uma risada, divertindo-se com a brincadeira.
Era a primeira vez que via alguém demonstrar o ciúme bebendo vinagre de verdade.
— Tá bem, tá bem, já entendi a sua acidez.
Deise tomou um gole de seu refrigerante para aliviar o azedo na boca e continuou:
— Fique tranquilo. Eu não vou encontrar o Leandro. Pelo menos, não esta noite.
— Mas, depois de hoje, você vai vê-lo, não é?
William perguntou sem alterar o tom de voz.
— Vou.
Deise respondeu de forma categórica.
— Você quase acertou em cheio. O assunto que o Leandro quer tratar tem mesmo a ver com o cruzeiro. Ele disse que... a Mariana tem algo muito importante para me contar pessoalmente...
A expressão de Deise foi se tornando séria enquanto falava.
William sabia que Mariana era a filha de Leandro.
O passeio no cruzeiro naquele dia fora exatamente para comemorar o aniversário dela.
Então, era Mariana quem tinha algo a dizer a Deise...
William ficou pensativo.
Teria acontecido algo com a menina no navio?
— Quando você marcou de se encontrar com ele?
— Por quê? Vai me seguir?
Retrucou Deise em um tom de brincadeira.
— Não é uma má ideia.
William confirmou com uma seriedade absoluta.
Deise caiu na gargalhada.
— Ele marcou amanhã à noite. Disse que vai me convidar para um jantar chique.
— Amanhã à noite...
William ruminou esse horário em sua mente.
— Você sabe... que dia é amanhã?
— Hum?
Deise olhou para ele intrigada e balançou a cabeça.
— Não sei.
Porém, o que Palmiro não sabia era que, em dias normais, Deise entrava com o carro diretamente no estacionamento subterrâneo e pegava o elevador até o 12º andar, indo direto para a sua sala. Ela nunca entrava pela porta da frente.
Após quarenta amargos minutos de espera, Palmiro finalmente recebeu uma ligação de seu assistente informando que Deise já estava no escritório trabalhando há um bom tempo.
Toc-toc!
— Entre.
Disse Deise, dentro da sala, sem sequer erguer a cabeça.
— Minha esposa...
Deise sentiu um arrepio pelo corpo todo.
Levantou os olhos na mesma hora e viu o rosto de Palmiro encoberto por um enorme e vibrante buquê de rosas vermelhas.
— Feliz Dia dos Namorados, querida.
Palmiro estendeu o buquê em direção a ela.
Mesmo que ouvir Palmiro chamá-la de "querida" desse nojo, no momento ela precisava manter as aparências.
Afinal de contas, ela e Palmiro agora eram o casal de "amor puro" e "amor verdadeiro" mais aclamado da internet.
Quando Deise estava prestes a pegar as flores, Palmiro puxou o buquê de repente.
— Não é desse lado...

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