Victória levou um susto tão grande que sua mão tremeu, deixando o celular cair direto no chão, o que assustou Beatriz.
O rostinho de Beatriz, que já estava pálido, encheu-se de ainda mais pavor.
— Mamãe... Você acha... acha que a Mariana vai contar para o pai dela que fui eu quem a empurrou do navio?
— Shh!
Victória fez um sinal de silêncio para Beatriz, pegou o celular do chão imediatamente e apagou, uma por uma, as conversas de WhatsApp que acabara de ter.
Já que as coisas haviam chegado a esse ponto e o que estava feito estava feito, ela só podia ir até o fim!
Os olhos de Victória disparavam uma malícia ardente.
— A culpa não é sua, Beatriz...
E, claro, a culpa também não era dela.
Foram Deise e Palmiro que a obrigaram!
— Foi a sua tia quem tentou matar você primeiro... Além disso, Mariana é só uma criança. Como alguém poderia levar as palavras de uma criança a sério!
Victória disse isso a Beatriz quase como se estivesse falando consigo mesma, e estendeu os braços para a menina.
Beatriz atirou-se de imediato nos braços de Victória, e mãe e filha deram um abraço apertado.
Elas sim eram mãe e filha, unidas pelos laços de sangue.
O que a Deise significava?
Apenas uma estranha.
Um acidente havia arruinado a festa de aniversário, que até então estava perfeita, forçando o navio de cruzeiro a atracar antes do previsto, o que já havia frustrado todos os convidados.
Mas uma desgraça nunca vem só. Justo quando o cruzeiro estava prestes a atracar, o alarme de incêndio disparou repentinamente a bordo!
Palmiro e Victória correram para fora da cabine quase ao mesmo tempo.
Os dois se olharam instintivamente. Sem dizer uma palavra, Palmiro pegou Beatriz no colo com um braço, agarrou Victória com o outro e começou a correr.
Embora os funcionários do navio estivessem fazendo o possível para evacuar os convidados e organizar um desembarque ordeiro.
Mas, em uma questão de vida ou morte como um incêndio, o instinto humano é, sem dúvida, o de tentar se afastar do perigo mais rápido do que os outros.
Como Palmiro, por exemplo.
Ele corria a toda velocidade com Victória e Beatriz, ignorando por completo as orientações da tripulação.
Leandro queria deixar Mariana provisoriamente sob os cuidados de um tripulante para voltar à enfermaria e procurar Deise.
— Sinto muito, senhor, mas estamos em uma situação de emergência. Apenas o senhor pode cuidar da sua filha. Além disso, o andar da enfermaria já foi isolado, é muito perigoso e o senhor não pode voltar.
As palavras do funcionário caíram como um balde de água fria sobre Leandro, apagando sua última centelha de esperança.
No fim, Leandro não teve outra escolha a não ser continuar carregando Mariana e descer do navio com a fila de passageiros.
Na margem, Palmiro já havia desembarcado há algum tempo.
Segurando Victória com uma mão e Beatriz com a outra, seus olhos estavam fixos na passarela.
Uma imensa multidão corria para descer.
Finalmente, no meio do mar de pessoas, Palmiro avistou Leandro.
Leandro trazia Mariana nos braços.
Mas Deise não estava com ele.
O coração de Palmiro deu um salto. Sem pensar duas vezes, ele correu até Leandro e perguntou desesperado:

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