Era a mulher mais linda que ele já vira, com feições e uma aura que beiravam a perfeição.
Diante de uma mulher que unia tamanha inteligência, talento e uma beleza arrebatadora, era quase impossível não se apaixonar.
No entanto, Deise já tinha um marido; era uma mulher casada.
Sempre que se lembrava desse detalhe, Leandro via-se forçado a sufocar qualquer devaneio ilusório em seu coração.
— Você é só uma criança, o que entende sobre gostar ou não gostar de alguém?
Leandro apertou suavemente a bochecha de Mariana.
— Eu sei muito bem! É claro que o papai gosta da Sra. Deise! Toda vez que você olha para ela, seus olhos brilham de um jeito todo especial.
Desmascarado pela própria filha, Leandro baixou a cabeça, constrangido.
— Papai, se esforça bastante para fazer a Sra. Deise virar a minha mãe, por favorzinho?
Hospital Regional 7.
Quando Palmiro avistou Deise acompanhada de William, sua expressão desmoronou em um instante.
— Por que você veio atrás?
Palmiro encarou William com um tom ríspido, sem o menor esforço para ocultar seu desprezo e hostilidade.
— Você é só um acompanhante, não tem a mínima noção do seu lugar. Este não é um lugar para você, pode dar o fora!
As palavras de Palmiro foram extremamente rudes. Temendo que William se sentisse insultado, Deise estava prestes a intervir, quando o ouviu retrucar de forma arrastada e serena:
— Justamente por ser um acompanhante é que estou aqui. Obviamente, a cliente pagou muito bem.
— Seu...!
Palmiro alternou o olhar entre William e Deise, com o rosto verde de raiva.
Deise não pôde evitar levar a mão à testa.
Conhecendo a postura sempre fria, severa e inexpressiva de William, ela jamais imaginaria que ele pudesse se divertir tanto encenando o papel de amante pago.
Ainda assim, para Deise, era melhor esclarecer aquele mal-entendido o quanto antes. Caso se cruzassem no mundo dos negócios no futuro, aquelas difamações de Palmiro poderiam prejudicar a imagem de William.
Antes, ao vê-lo com roupas tão impecáveis, presumia que ele era bancado por uma mulher rica, ou que alguma herdeira esbanjava fortunas com ele, justificando aquele luxo todo.
Contudo, William passava longe de ser um garoto de programa.
Sendo assim, qual seria a sua verdadeira origem?
Um funcionário do escalão inferior jamais teria recursos para bancar tantos itens de luxo.
Palmiro fixou o olhar intensamente em William, com o corpo tenso como se estivesse diante de um inimigo mortal.
Primeiro Leandro, agora William...
Como ele nunca havia percebido que Deise era um ímã tão poderoso para os homens?
— Se o senhor não é um acompanhante, então compreendo menos ainda as atitudes do Sr. Branco... A Deise é minha esposa, uma mulher casada. Por que você insiste em ficar na cola dela feito um carrapato? Por acaso não sabe que ela tem marido?
A investida de Palmiro foi aguda, mas William revidou com uma calma inabalável:
— Deise é casada, de fato, mas você a trata como sua esposa? Nenhum homem de verdade abandona a própria mulher para fazer companhia a outra... Sendo assim, cheguei a pensar que a mãe da Beatriz fosse a sua verdadeira esposa!

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