— Cunhada, você não acha que está passando dos limites? Uma adulta intimidando uma criança!
Victória estava prestes a usar a situação a seu favor, mas Leandro interveio antes mesmo de Deise:
— Quem está passando dos limites aqui é você! Eu sei que a Beatriz é sua filha, mas a Mariana também é minha. Da mesma forma que você acredita na Beatriz, eu também acredito na Mariana. A Deise apenas fez uma pergunta à Beatriz e você já tentou colocar toda a culpa nas costas dela. Qual é exatamente a sua intenção com isso?
Pressionada pela acusação de Leandro, Victória ficou sem palavras.
Na época do colégio, não era nela que Leandro tinha uma paixão secreta?
Por que agora ele a confrontava dessa forma para defender Deise?
Uma imensa indignação tomou conta do íntimo de Victória.
É verdade que ela percebera, num piscar de olhos, o interesse nascente de Leandro por Deise.
Mas achou que não passava de uma novidade passageira.
Para Victória, se Leandro havia conseguido colocar Deise no projeto "Chave do Futuro", tornando-a consultora e encarregada da embaixadora, era cem por cento garantido que ele já tinha ido para a cama com ela e desfrutado dos benefícios.
Já ela era a pessoa que Leandro nunca havia conseguido ter, a dona do seu coração nos tempos de estudante.
Pela lógica e pela emoção, Leandro já deveria estar enjoado de brincar com Deise.
E quanto a si mesma? Ela não deveria ser a mulher ideal para ele?
De um lado, Victória estava possuída por divagações furiosas.
Do outro, Deise também estava surpresa por Leandro ter tomado a iniciativa de rebater Victória em seu lugar.
— Obrigada, Leandro.
Os olhares de Deise e Leandro se cruzaram.
Os olhos de Leandro brilhavam intensamente, especialmente quando se fixavam nela.
Palmiro, observando a troca de olhares ao lado, teve a impressão nítida de que os dois estavam flertando na sua cara. Seu estômago revirou de repulsa.
— Beatriz, da próxima vez que não se lembrar direito, apenas diga que não se lembra. Não invente histórias.
Quando o parque fechou, todos seguiram para o hotel termal anexo para comer num bufê livre.
A princípio, o clima na mesa de seis estava até agradável. Palmiro e Leandro trocavam conversas casuais com Deise de vez em quando.
Até o momento em que Victória colocou um copo de suco de toranja na frente de Beatriz.
De início, Deise não prestou atenção àquele simples suco.
Estavam comendo num bufê livre, com uma infinidade de pratos coloridos na mesa, então era difícil que alguém focasse num mísero copo de suco de toranja.
O que despertou a curiosidade de Deise foi Victória ordenar a Beatriz que bebesse o suco de toranja inteiro, mesmo que precisasse tapar o nariz.
O suco de toranja era um tanto azedo para uma criança, ainda mais aquele do hotel, que servia a bebida sem açúcar.
Havia tantas outras opções de suco nas bancadas do bufê; não fazia o menor sentido escolher justamente toranja e forçar Beatriz a beber até a última gota, sendo que outras garrafas de sucos ainda estavam cheias.
Enquanto cortava um bife em pedaços pequenos e dava na boca de Mariana, Deise começou a observar silenciosamente o que Victória fazia com Beatriz do outro lado da mesa.

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