— Se não fôssemos eu e o Francisco agora há pouco, você teria sido forçada a abaixar essa sua cabeça orgulhosa.
— Somando com o que você me deve da última vez, vamos acertar as contas hoje mesmo.
Júlia Farias inicialmente queria agradecer a ele. Inclusive sobre o mal-entendido daquela vez na Capital, algo que ela ainda guardava na memória, sentindo-se culpada por isso.
Mas, ao ouvir Samuel Holanda cobrar gratidão com essa atitude, ela ficou extremamente irritada.
A raiva que ainda não havia passado pela discussão com Gustavo Mendes reacendeu como fogo em cinzas.
— Se eu tiver que agradecer a alguém pelo que aconteceu agora, é ao Diretor Fontes. Quem você pensa que é?
— E quanto àquela vez na Capital, quem garante que você estava realmente me ajudando e não apenas se aproveitando de mim?
Samuel Holanda riu de raiva, ele nunca tinha visto uma mulher tão ingrata em toda a sua vida.
Com um meio sorriso no rosto, ele lançou uma isca.
— Que tal assim: você diz com todo o respeito 'Irmão, eu estava errada', e eu te entrego o contrato. O que acha desse acordo?
Ele duvidava muito que não ouviria nenhuma palavra de submissão dela hoje.
Mas quem era Júlia Farias? O tipo clássico de pessoa que não se dobra a ameaças. Ela bufou friamente e virou o rosto.
— Nem sonhando! Eu não dou a mínima para o seu contrato.
Afinal de contas, ela era a campeã de vendas, não tinha medo de ninguém.
Se não fechasse esse contrato com o Grupo Holanda, haveria outros a esperando.
Em suma, ela não se curvaria por causa desse dinheirinho.
Samuel Holanda não esperava que ela fosse tão durona.
— Tudo bem, eu subestimei você. Mas espere só, mais cedo ou mais tarde vou fazer você dizer essas palavras de boa vontade.
Júlia revirou os olhos, sem paciência.
Esse cara tem algum problema!
Quando ela ia xingá-lo de volta, viu Nina Almeida abrindo a porta e espiando para fora.
Júlia caminhou rapidamente até ela. Ao ver que a amiga não estava com uma cara boa, Nina perguntou em voz baixa:
— O que foi? Brigou com ele? O mal-entendido não foi resolvido?
Júlia cerrou os dentes.
— Não é isso, mais tarde eu reclamo dele com você.
Ao entrar no camarote, Júlia notou de relance que a calça de Francisco Fontes estava molhada na altura da coxa.
Ela admitia que sua mente estava sempre poluída.
Inconscientemente, chegou a pensar que os dois estavam no camarote...
Percebendo o que ela estava pensando, Nina pigarreou levemente e apontou para a xícara de chá na mesa.

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