Júlia sentiu um calafrio; não imaginava que Gustavo Mendes conhecesse os detalhes de seu trabalho com tamanha precisão.
Mas ela era teimosa por natureza e, mesmo tendo seu histórico escancarado ali, esticou o pescoço, recusando-se a ceder.
— Exatamente. O que você vai fazer? Estou disposta a ir até o fim!
Gustavo deu um sorriso desdenhoso, ignorando-a, e virou-se para olhar Nina.
— Se ela não quer pedir desculpas, tudo bem. Nina, como a melhor amiga dela, você deve fazer algo para compensar, não?
— Por exemplo — voltar para a Enseada Azul comigo hoje à noite?
Nina sentiu uma onda de repugnância, mas forçou-se a conter a raiva e respondeu, apelando à razão:
— Nós tínhamos um acordo. Você quer quebrar sua palavra?
— Eu não quero — respondeu Gustavo —, mas a sua amiga está testando os meus limites.
Por mais canalha que Gustavo pudesse ser, não se podia negar que a família Mendes era a mais rica de Marazul, e ele, sendo o herdeiro da família, detinha um poder absoluto na cidade.
Se ele sabia tão bem sobre o trabalho de Júlia, com certeza já devia ter descoberto tudo sobre o endereço dela, sua família e todos os outros detalhes.
Se Gustavo realmente quisesse fazer algo contra Júlia, seria fácil como virar a mão.
Aos olhos dos poderosos, ela e Júlia eram meras insignificâncias, abaixo até mesmo de formigas.
Nina abaixou o olhar.
Ela não podia arruinar a vida de Júlia.
Júlia tinha entrado na briga para defendê-la. Esse pedido de desculpas, ela faria em nome de Júlia.
— Eu peço desculpas em nome da Júlia.
Depois de dizer isso, Nina lançou um olhar indiferente a Verônica.
— Peço desculpas, Srta. Barros. Eu não deveria tê-la insultado publicamente.
— Nina...
Júlia estava revoltada, mas sabia que Nina a estava protegendo, então apertou os dentes e cerrou os punhos, sem ousar dizer mais nada.
Verônica, por outro lado, sentiu-se vitoriosa. Ajeitou uma mecha de cabelo de lado, já pronta para encenar generosidade diante de Gustavo e dizer que deixaria para lá.
Mas, pelo canto do olho, viu um brilho momentâneo de excitação nos olhos de Gustavo.
— Nina, eu disse que, ou ela pedia desculpas, ou você ia para casa comigo hoje à noite. Você parece ter entendido mal.
A exigência de Gustavo era apenas para pressionar Júlia, mas ele não esperava que Nina tomasse a frente para se desculpar no lugar da melhor amiga.
Por um lado, sentiu-se decepcionado. Aos olhos de Nina, a amiga era mais importante do que ele, o seu marido.

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