Tentando sondá-lo, ela sugeriu:
— Foi porque a Srta. Almeida ficou com raiva de novo e não te deixou ir ver o Léo?
— Não. — Irritado, Gustavo puxou a gravata. — Eu me encontrei com a Nina esta manhã, e ela nunca falou mal de você ou do Léo na minha frente.
— Nunca falou antes, e não fala agora.
Verônica engasgou e, ciente de que não deveria prolongar o assunto, prendeu uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Fui eu que entendi mal a Srta. Almeida, então. Ela deve ter se mudado de volta, não?
Na cabeça de Verônica, Nina era apenas uma caipira interesseira; ela nunca teria a coragem de deixar Gustavo, não importava o que acontecesse.
Mesmo depois que ela dissera toda a verdade no hospital aquele dia, Nina ainda assim se agarrava a Gustavo com unhas e dentes.
Agora que ela e a criança haviam ido embora, Nina estaria, sem dúvidas, apressada para retornar.
Com esse pensamento, Verônica apertou os punhos com força.
Contudo, de forma inesperada, Gustavo ficou em silêncio por um breve instante e balançou a cabeça.
— Não. Ela não quer voltar.
Como?!
Verônica quase não conteve o riso; a caipira estava mesmo fazendo charme para não voltar?
Quanta ousadia!
— É tudo culpa minha. Que tal eu ir pessoalmente pedir desculpas a ela? Deixo que me xingue ou me bata, pode fazer de mim o que bem entender.
Sem saber no que pensava, Gustavo acabou por dar uma risada.
— Nem me fale, ela agora está como uma gatinha selvagem. Se você aparecer na frente dela, é capaz de acabar batendo e gritando mesmo.
O rosto de Verônica perdeu as cores de forma súbita.
O tapa que levara no restaurante da última vez ainda estava vivo em sua memória.
As mãos de Verônica, caídas ao lado do corpo, se apertaram com mais força; o seu estado de espírito tornou-se caótico.
O que havia de errado com Gustavo? Ele não apenas deixara de culpar aquela vadia da Nina pela sua mudança brusca de comportamento, como também parecia até mesmo demonstrar certa admiração?
Anteriormente, se ela sofresse um mínimo arranhão que fosse, ele já ficava tenso, mas agora, ao levar um tapa na cara, a única ação de Gustavo fora lhe dar aqueles dois apartamentos, e nada mais.
Seria possível que Gustavo estivesse verdadeiramente apaixonado por Nina?
Por causa desse pensamento, Verônica ficou desconcentrada até mesmo depois de retornar à sua mesa.

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