O coração de Rute Mendes subiu bruscamente.
— Mãe, a senhora ouviu mal. Não é a Nina.
A velha senhora era de idade avançada, mas seu rosto ainda exibia os traços da autoridade que tinha na juventude.
— Pare de tentar me enganar. No último aniversário de Bernardo, quando me mandaram passear, vocês estavam pressionando a Nina e forçando o divórcio dela com Gustavo?
O olhar de Rute esquivou-se por causa da consciência pesada.
— Mãe, a senhora está pensando bobagem demais.
Afinal, nem ela nem Gustavo haviam tocado no assunto do divórcio. Fora a própria Nina quem decidira.
Contudo, Rute jamais confessaria isso à velha senhora.
Por algum motivo desconhecido, a senhora nutria um carinho por Nina maior do que pela própria neta.
A Senhora Mendes, cujos olhos opacos estavam focados na nora, soltou um longo suspiro.
— Eu sei que você sempre menosprezou a origem de Nina.
— Mas, nestes últimos três anos, você viu com mais clareza do que eu. A Nina gosta de verdade de Gustavo, e Gustavo também não vive sem a Nina.
— Tome cuidado para não cometer um erro que irá lamentar quando for tarde demais.
Com um piscar rápido de olhos, Rute deu um pequeno sorriso.
— Eu sei, mãe. Farei o que a Nina achar melhor.
Até mesmo o desejo dela de divorciar-se, faria as coisas do jeito dela.
Assim, caso a senhora ou Gustavo decidissem culpá-la por algo no futuro, poderia facilmente empurrar a culpa para Nina.
Tendo despachado a sogra, Rute saiu, muito bem-humorada, para o salão de beleza ao encontro de suas amigas.
Pensar que a Família Mendes em breve se livraria do fardo que era Nina fazia com que ela sentisse um prazer que percorria seu corpo da cabeça aos pés.
Às 14h, Nina e Júlia embarcaram no avião.
Júlia tivera que correr apressadamente todo o trajeto até o aeroporto, de modo que seu coração agora retumbava alucinado pela corrida desabalada.
Nina encheu-lhe um copo de água.

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