Nina ficou completamente confusa, mas, ao ouvir os soluços altos de Júlia, seu coração subiu à boca; sem pensar duas vezes, pegou a bolsa e correu em direção à saída.
Com o telefone apertado contra o ouvido, ela pressionou ansiosamente o botão do elevador.
— Onde você está? Vou te encontrar!
— Eu estou, eu estou, buááá, eu não sei onde estou!
Nina suava de desespero, apavorada com a ideia de Júlia sendo maltratada por alguém.
Naquele exato momento, do outro lado da linha, alguém arrancou o telefone das mãos de Júlia e berrou:
— Na garagem subterrânea!
Nina arregalou os olhos; estava prestes a perguntar o que ela fazia no estacionamento subterrâneo se a havia mandado esperar no saguão do térreo, quando começou a ouvir trocas de xingamentos pelo telefone.
— Seu tarado assediador! Como ousa roubar o meu celular? Quer ver eu te denunciar por assalto à mão armada?!
— Há, sua ingrata do inferno, não sabe valorizar um favor, né? Se não fosse por mim, você nem imagina quem já teria te abusado agora!
— Pth! Pth! Pth! Cala essa boca! Foi você quem apertou a minha bunda!
— Acha que você tem o suficiente para que eu quisesse pôr as mãos? Devia olhar para o próprio reflexo no mijo.
"Tu-tu-tu..."
A ligação caiu. Nina ligou de volta, mas ninguém atendeu; seu pânico era absoluto. Felizmente, o elevador chegou, e ela apressou-se em apertar o botão do primeiro subsolo.
As portas do elevador começavam a se fechar quando uma mão de ossos definidos se interpôs.
O homem esguio e alto entrou, olhou-a de cima a baixo com desprezo e disse:
— E você acha que consegue defender os outros com esse corpo miúdo?
Nina não recusou a presença de Francisco. Naquele momento, número era força e, além disso, estavam lidando com um homem. Dependendo apenas de si mesma e de uma garota durona embriagada, as chances de vitória eram inexistentes.
Chegando à garagem, Nina avistou Júlia logo de cara, com um homem de pé na frente dela balançando o punho.
— Pare! — gritou Nina, zangada, atirando-se na frente de Júlia para protegê-la. — Um homem feito, e você tem coragem de...
A frase morreu na boca e ela paralisou.
Porque o "criminoso" estava com o lado esquerdo do rosto cheio de marcas roxas e avermelhadas, e o seu pescoço exibia vários arranhões profundos. Ele parecia muito mais vítima do que a "vítima" Júlia.
E, mais intrigante, o "criminoso" parecia assustadoramente familiar; ela sentiu como se já o tivesse visto antes.
O punho balançando parou no ar. Samuel Holanda também estava paralisado.
Piscou atordoado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciada No Dia Do Meu Casamento