A voz distante do homem ressoou acima de sua cabeça.
— Que foi, não quer?
Por menos que Nina quisesse, ela não podia recusar a 'gentileza' de seu cliente soberano. Então, ela segurou a barriga, levantou-se e sorriu: — Imagina.
Aquela era a estação mais bonita de A Capital.
Tudo parecia estar ganhando vida novamente.
O Sr. Chagas os levou de carro por toda a cidade.
Desde a claridade do dia até o cair da noite.
As paisagens eram belas, a arquitetura estava carregada de aura cultural, mas Nina, devido à dor insuportável no abdômen, quase não tinha ânimo para apreciar a beleza.
Por fim, Francisco ordenou que o Sr. Chagas parasse o carro na entrada de uma rua de comidas de rua.
O luxuoso carro Bentley formava um nítido contraste com a modesta rua gastronômica.
Os pedestres que passavam viam o carro de luxo e sacavam os celulares para tirar fotos, com expressões de quem nunca tinha visto algo parecido.
Era exatamente em uma rua como aquela que Francisco disse que a levaria para dar um passeio.
A luz alaranjada dos postes refletia em suas costas largas e esguias, e Nina sentiu, por um momento, a ilusão de serem um casal de namorados passeando no mercado noturno.
O Sr. Chagas, que ficou no local guardando o carro, acendeu um cigarro, colocou-o na boca e apertou os olhos, observando as duas figuras que se afastavam cada vez mais.
O jovem mestre provavelmente havia planejado isso há muito tempo; devia ter querido trazê-la aqui desde sempre.
A única pena era o fato de a Srta. Almeida ser uma mulher casada.
O Sr. Chagas tinha uma boa relação com o Assistente Campos, e descobriu acidentalmente, através dele, que Nina já era casada.
Ele pensou: E daí que ela é casada? Desde que a Srta. Almeida concorde, mesmo que fosse para ser o amante masculino, o jovem mestre se ofereceria com gosto.
Mas parecia que a Srta. Almeida não tinha essa intenção com o seu jovem mestre.
O Sr. Chagas, como um pai preocupado, exibiu um rosto cheio de angústia.
As ruas gastronômicas por toda parte eram bem parecidas, e as barracas apregoavam as mesmas coisas de sempre.
Nina já não era tão gulosa quanto na infância, quando não conseguia dar um passo a mais ao ver petiscos. Naquela época, ela segurava a manga de Francisco e não soltava, babando de vontade pelos bolinhos de polvo.
— Chefe, uma porção de bolinhos de polvo, por favor.
A voz rouca e magnética do homem trouxe Nina de volta de suas memórias para a realidade.

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