Após a partida de Eduarda, Cícero chamou Damiano.
— Sr. Machado, qual é a próxima programação? — Damiano perguntou respeitosamente.
— Volte para Praia Dourada, vou ver o Sr. Adilson.
Damiano notou que Cícero usou o cargo oficial e entendeu imediatamente.
— Entendido. Você deseja conversar com o Sr. Adilson sobre esse assunto? O secretário da presidência acabou de perguntar sobre a licitação; assim o senhor pode tratar disso pessoalmente com ele.
Cícero assentiu.
Damiano dirigiu até Praia Dourada, da família Machado.
O administrador da casa o recebeu na porta e disse: — Sr. Cícero, o senhor Adilson está lhe esperando no escritório há bastante tempo. Por favor.
Cícero assentiu e, ao entrar no escritório, viu Adilson Machado enrolado num casaco quente observando uma pintura de paisagem, em vez de pintar ele mesmo, como de costume.
Cícero percebeu na mesma hora que a saúde do Vovô Adilson não estava boa.
Ao ver Cícero entrar, Adilson afastou-se ligeiramente para que o neto pudesse olhar a pintura com ele.
— Cícero, dê uma olhada nesta pintura. Eu a fiz há três anos, levei mais de um mês para concluí-la. É a pintura com a qual estou mais satisfeito e também a minha favorita — disse Adilson.
Cícero se aproximou e observou com atenção a beleza das cores da paisagem.
— As pinceladas do Vovô são naturalmente excelentes — disse Cícero.
— Eduarda também disse a mesma coisa. — Adilson assentiu, recordando-se de algumas memórias do passado.
Cícero ficou confuso: — Do que o senhor está falando? Ela também viu essa pintura?
— Não, não, não foi isso. Na época era apenas uma caligrafia. Lembro-me que quando Eduarda veio me procurar pela primeira vez para pedir o divórcio, ela parecia muito triste, implorando-me para ajudá-la, para deixá-la se separar de você. Eu não concordei, para que ela pudesse ter o direito de sair da família Machado de cabeça erguida.
Adilson balançou a cabeça: — Se eu soubesse que Eduarda era uma grande designer, não teria imposto essa condição. Naquela época, eu não deveria ter aceitado; vocês não teriam tido esse desfecho.
Ouvindo Adilson aparentemente lamentar, o brilho nos olhos de Cícero também escureceu um pouco.
— Vovô, o erro nisso não é de ninguém, é tudo culpa minha. O senhor não precisa ficar pensando demais nisso — disse Cícero.
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