Damiano também viu a cena lá dentro através da fresta da cortina. Sabendo que o Sr. Machado não devia estar de bom humor, ele sensatamente calou a boca e recuou para o lado.
Cícero virou a cabeça e olhou novamente para Eduarda, enterrada no abraço de outro homem, sendo consolada em sua tristeza. O coração dele se encheu de um sabor amargo.
O primeiro pensamento dele agora era invadir o espaço, afastar Franklin e recuperar o lugar que lhe pertencia.
Mas, lembrando-se da situação perigosa que Eduarda acabara de enfrentar, ele não teve coragem de perturbá-la.
Seus passos pararam ali mesmo.
Se ele tirasse Eduarda do lado de Franklin agora, ela provavelmente ficaria com mais raiva dele ainda.
Ele não queria ser odiado por Eduarda.
Cícero e Damiano saíram pelas portas da área de emergência. Tendo certeza de que Eduarda não ouviria sua voz, ele olhou friamente para Damiano:
— Fale.
Damiano relatou imediatamente o ocorrido no dia.
— A pessoa que chantageou a esposa e os outros era um funcionário do caso da aquisição do shopping na época. Como ele não recebeu a suposta compensação que a liderança lhe havia prometido e não pôde pagar suas dívidas, ele guardou rancor. Os cobradores bateram à porta dele e o encurralaram em um beco sem saída. Ele pagou para alguém descobrir que o senhor e Evandro estavam envolvidos nesse assunto, então se disfarçou de motorista para ameaçar a esposa e a mulher de Evandro. O homem também confessou que não pretendia machucar a senhora e as outras; ele só queria o dinheiro para pagar as dívidas.
Cícero deu um sorriso frio: — Não pretendia machucar? Então de onde vieram os machucados na minha esposa?
Damiano respondeu com sinceridade: — Ele disse que a agrediu num momento de desespero e que não usou muita força, mas o hospital disse que o agressor usou muita força na hora para machucar a esposa daquele jeito.
As pupilas de Cícero ficaram tingidas com um instinto assassino em um instante, e o rosto dele ficou sombrio.
— Lide com ele adequadamente. Não quero que ele venha ameaçar a mim ou a minha esposa de novo.
Damiano juntou as mãos na frente do corpo e disse: — Sim, Sr. Machado.
Cícero olhou de volta na direção do leito de Eduarda; não havia nenhum movimento, e ele soltou um suspiro.
— Como estão a Elisa e o Wilmar? — perguntou Cícero.
Damiano respondeu: — Eles não têm nada de grave, todos os ferimentos estão na senhora. Quando fui cumprimentá-los, Evandro também tinha chegado, então a essa hora eles já devem ter ido para casa juntos.


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