As promessas de Cícero eram lindas, acompanhadas de pedidos de desculpas sinceros.
Eduarda conseguia sentir a sinceridade nele, uma sinceridade inédita.
— Mas eu realmente não quero aceitar. Você já fez o que fez e, não importa o que diga, a dor continua lá. Não é algo que possa ser apagado só porque você quer 'compensar'.
A teimosia na recusa de Eduarda tornava a situação ainda mais inaceitável para Cícero.
Até aquele momento, ele ainda não conseguia aceitar o fato de que a gentil Eduarda, que sempre fora compreensiva e cedera aos seus desejos, havia sumido.
Ele, com as próprias mãos, havia jogado fora alguém tão incrível. Como poderia ser tão difícil trazê-la de volta?
Mesmo sendo a mesma pessoa, e tendo o mesmo rosto, tudo estava completamente diferente de antes.
As lágrimas escorreram dos olhos de Cícero. Ele virou-se e segurou os ombros de Eduarda com firmeza, forçando-a a encará-lo.
O olhar de Eduarda estava límpido e claro. Mesmo diante do homem chorando em sua frente, ela não demonstrou a menor comoção.
Cícero falou, e cada palavra que saía da sua boca parecia arrancar pedaços sangrentos de dentro dele.
— Aceitar-me não é tão difícil assim. Você apenas esqueceu. Você já me amou no passado, não acredito que esse amor nunca tenha existido. Eduarda, tudo o que você queria de mim no passado, estou disposto a te dar mil vezes mais agora. Mesmo assim, você não quer? Pergunte ao seu coração. Ele consegue sentir, não consegue?
Cícero queria devotamente que o coração de Eduarda ouvisse e correspondesse a ele.
Eles dois deveriam ter sido felizes. Caminharam tanto e deram tantas voltas, mas nunca deveriam ter se separado. Estavam destinados a seguir o mesmo caminho para sempre.
Eduarda foi sacudida sob o controle dele. Tentou se soltar algumas vezes, não conseguiu e, então, parou de lutar.
— E mesmo que esse amor tenha existido, o que isso muda? O amor não pode desaparecer? Você acha que o amor é uma pedra impenetrável? Ele é a coisa mais frágil e que mais precisava ser protegida do mundo, mas você o jogou no chão sem piedade. Perguntar agora onde esse amor foi parar não faz sentido, Cícero. Não faz o menor sentido.
Eduarda levantou os olhos novamente, encarando-o com serenidade, sem o menor traço de rancor.


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