Toc, toc, toc —
O som de batidas na porta interrompeu os pensamentos de Eduarda enquanto ela desenhava seus esboços.
— Pode entrar. — Eduarda falou em direção à porta.
A porta do quarto foi aberta e, com a brisa, entrou o cheiro de sopa de galinha. Ao sentir o aroma, Eduarda franziu levemente a testa.
Arthur foi o primeiro a se espremer pela fresta da porta, correndo até o lado de Eduarda.
— Mamãe, o que você está fazendo? Venha descansar um pouquinho! O papai e eu fizemos uma sopa de galinha para você. Prove um pouquinho, mamãe! — Arthur dizia com entusiasmo.
Enquanto falava, ele tentou puxar Eduarda, mas ela sequer largou o lápis de desenho.
— Arthur, pode beber você mesmo. A mamãe não quer.
Eduarda não fez rodeios e foi direta, sem tentar poupar os sentimentos de pai e filho.
Arthur ficou parado, atônito, e puxou a manga da blusa de Eduarda:
— Prova só um pouquinho, mamãe. Deve estar muito gostosa. O papai disse que você adora sopa de galinha. Nós ficamos cozinhando na cozinha por um tempão, com certeza está uma delícia.
Arthur fez o máximo para recomendar a sopa, na esperança de que Eduarda aceitasse a gentileza deles imediatamente.
Mas Eduarda continuou sentada.
Cícero colocou a sopa na mesinha onde Eduarda havia acabado de tomar o mingau. Ele sentou-se no sofá ao lado, serviu duas conchas de sopa na pequena tigela de porcelana.
Ao ver que Eduarda não se movia, ele tomou a iniciativa de levar a tigela até ela.
— Descanse um pouco. Você tem trabalhado desde que voltou, tomar um pouco de sopa vai te ajudar a relaxar. — disse Cícero.
Ele colocou a tigela de sopa perto da mão de Eduarda.
Eduarda, concentrada, não percebeu. Com um movimento do braço, ela acidentalmente derrubou a tigela, derramando a sopa e arruinando o esboço que estivera desenhando com tanto cuidado.
Cícero não esperava por aquilo. Quando tentou segurar a tigela, já era tarde demais.

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