A vendedora ainda sentia certo receio. Talvez a criança não tivesse noção e não pudesse arcar com uma quantidade daquelas. Um único buquê já seria mais do que suficiente.
Mas Arthur não estava nem aí para essas coisas. No seu mundo, não existia o conceito de "não ter dinheiro para comprar"; importava apenas se gostava ou não.
Com os olhos absolutamente límpidos, ele afirmou:
— Sim, eu quero. O que importa é que a minha mãe vai gostar.
O menino correu até a porta e puxou o braço de Cícero, que estava no meio de uma ligação. Ele desligou o celular para escutar o que o filho queria.
— Papai, a senhora da loja disse que a mamãe vai adorar essas flores. Olha só, elas não são lindas?
No momento em que Cícero pisou no interior da loja, a vendedora arregalou os olhos novamente.
— Sr. Machado! O senhor... Então este garoto é o Arthur!
A funcionária reconheceu Cícero na hora. Como o Grupo Machado era o maior investidor daquele shopping, os lojistas estavam mais do que familiarizados com ele.
A questão era que, naquele dia, a administração do local não havia emitido nenhum comunicado, e ninguém esperava que o grandioso patriarca da família Machado e seu herdeiro fossem fazer compras assim, sem antes esvaziarem o lugar. Por isso, a vendedora sequer desconfiou de quem Arthur seria. Ao avistar Cícero, o pânico tomou conta dela; rapidamente tentou se lembrar se havia dito algo inapropriado, ciente de que qualquer deslize lhe custaria o emprego.
Cícero, por outro lado, ignorou completamente a reação nervosa da mulher e voltou seu olhar para as rosas indicadas por Arthur.
— São belíssimas, a sua mãe certamente vai gostar. Vamos levar todas.
O rosto de Arthur se abriu num enorme sorriso e ele se virou para a vendedora:
— Senhora, pode mandar entregar todas as rosas dessas, por favor.
Receber uma encomenda faraônica daquelas do nada fez o coração da mulher bater tão forte que parecia que ia saltar pela boca. Ela correu entusiasmada para registrar a venda.
Enquanto Damiano passava o cartão para efetuar o pagamento, Cícero já caminhava com o filho em direção à próxima loja.
Levantando o rostinho curioso, Arthur indagou:
— Papai, você já sabe o que vai comprar para a mamãe? Já escolheu? Estamos rodando há um tempão e nada ainda.
De fato, Cícero ainda não encontrara o presente perfeito. Cada item nas vitrines era impecável, mas, por alguma razão, sentia que sempre faltava algo, que nenhuma daquelas joias era digna o bastante para ela.
Arthur segurou na enorme mão do pai, ponderou por um instante e sugeriu:

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