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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 634

— Por que você não descansa um pouco? Trabalhando até tão tarde, sua saúde aguenta? — perguntou Franklin suavemente, sua voz grave ecoando de forma magnética no silêncio da noite.

Eduarda ficou um pouco desconfortável e respondeu em um tom bem mais baixo:

— Ah, estou sem sono, então resolvi adiantar algumas coisas. Não estou cansada.

Franklin deu um leve sorriso e disse:

— Você continua a mesma, não mudou nada. Sempre se joga no trabalho e esquece de si mesma. Levar o trabalho a sério é bom, mas você precisa pensar mais no seu corpo e não se forçar tanto.

Ouvindo Franklin expressar aquele cuidado tão rotineiro, no mesmo tom suave que usava no passado, Eduarda teve por um momento a ilusão de ter voltado no tempo, para a época em que viviam no exterior e compartilhavam momentos tão felizes.

No entanto, ela sabia que aquele tempo não voltaria.

Ela suspirou levemente, forçando novamente uma fachada fria.

— Eu sei o que estou fazendo. Você... você ainda não foi embora? Tem mais alguma coisa para me dizer?

No pátio, momentos antes, estava claro que Franklin tinha algo a revelar. Agora, com seus olhos brilhantes fixos nele, Eduarda esperava que ele continuasse.

Franklin ponderou por um momento. A adrenalina impulsiva de antes havia esfriado, e agora as palavras pareciam presas na garganta.

Cícero tinha razão em uma coisa: se a Eduarda de agora soubesse o que aconteceu no passado, mesmo que ela tentasse não se importar, aqueles eventos dolorosos nunca seriam convertidos em belas lembranças.

Ficava nítido que Eduarda não havia se apaixonado por Cícero novamente, ao contrário do que ele tentava aparentar.

Diante disso, Franklin pensou que não deveria sobrecarregá-la com fardos desnecessários. Ele confiava em Eduarda; sabia que ela não se permitiria voltar àquele estado de vulnerabilidade do passado.

Balançando a cabeça, ele disse:

— Não é nada. Só vim ver como você estava.

Eduarda hesitou e perguntou:

— Você não tinha terminado de falar lá fora. Ia me contar o que aconteceu comigo antes do acidente, não ia?

Os olhos luminosos dela estavam cheios de questionamentos, transbordando o desejo genuíno por uma resposta.

Mas Franklin já havia tomado sua decisão.

O coração de Eduarda parecia bater como um tambor acelerado, mas ela não podia dar asas àquilo.

— Entendi — respondeu ela. — Estou muito bem agora, não precisa se preocupar comigo.

Franklin sorriu suavemente:

— Fico feliz.

Ele olhou para o relógio de pulso; já era bem tarde. Sabia que não deveria ficar muito mais tempo.

Então, ele tirou uma pequena caixa do bolso do sobretudo e a colocou na frente de Eduarda. Seu olhar se voltou para o relógio de mesa. Os segundos avançaram, tic-tac, tic-tac, até atingirem juntos a marca da meia-noite. Os números digitais brilharam com uma luz branca, refletindo no queixo bem delineado dele, fazendo-o parecer emanar uma aura própria.

Apoiado na beirada da mesa, Franklin inclinou-se ligeiramente na direção dela. Seus olhos pareciam duas raras pedras de obsidiana, dotados de uma profundidade magnética.

Ele abriu um sorriso e disse com a voz baixa:

— Eduarda, feliz aniversário de vinte e oito anos.

A caixa de veludo cinza sobre a mesa foi aberta por ele, revelando um anel de diamante brilhante que repousava silenciosamente ali dentro.

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