Talvez, como a calmaria que antecede a tempestade, Eduarda e Cícero sentissem no ar uma tensão prestes a explodir.
Depois de uma longa noite, o dia da assembleia de acionistas finalmente havia chegado.
Sala principal de reuniões do Grupo Machado.
O amplo salão já estava ocupado por vários acionistas do Grupo Machado.
Eram outros membros da família Machado que possuíam pequenas participações acionárias.
Entre aquelas pessoas, mesmo os que detinham apenas um por cento das ações eram figuras inalcançáveis para a maioria dos subordinados.
O motivo era simples: as ações do Grupo Machado valiam demais.
O lucro sempre sustentava as posições de poder mais consolidadas.
Na verdade, não havia tanta gente participando da assembleia; seria mais correto dizer que aquilo era um jogo interno de poder dentro da família Machado.
Depois que os pequenos acionistas se acomodaram, todos passaram a esperar a chegada dos representantes dos três maiores acionistas.
O primeiro a aparecer foi Roberto. Assim que entrou, todos olharam com reverência para o atual presidente do grupo.
Roberto não disse nada, mas sua presença imponente ainda era suficiente para intimidar a todos.
O próximo a entrar foi o secretário que representava Adilson; ele se sentou no lugar principal com educação e certa distância profissional.
Adilson era o acionista majoritário, então era natural que seu representante ocupasse o assento de honra.
Logo depois veio Cícero, que não chegou tarde. Ao lado dele estava Eduarda, elegante e discreta em um terninho azul-petróleo claro.
Eduarda segurava o braço de Cícero com naturalidade. Ele puxou a cadeira para ela e a ajudou a se sentar, parecendo a própria imagem da cortesia e do cuidado.
A postura protetora de Cícero foi tão evidente que Daiane e todos os presentes hesitaram por um instante, sem conseguir entender o que se passava na cabeça dele.
Todos sabiam que Eduarda era a mulher que a família Machado — e o próprio Cícero — haviam rejeitado no passado. Como a atitude dele poderia ter mudado tão drasticamente?
Tendo sido repreendida em público, Daiane ficou envergonhada e logo rebateu com sarcasmo:
— Por que eu não posso falar dela? Ela devia se olhar no espelho e lembrar qual é o seu lugar, e também ver quem são as pessoas sentadas aqui. Esta é a empresa da família Machado, e quem está sentado aqui são membros da família. Ela sentada aí não é motivo de piada?
Algumas pessoas ao redor começaram a concordar com Daiane, que olhou para Eduarda com orgulho.
Eduarda apenas esboçou um leve sorriso de canto. Sentada à frente, virou a cabeça para olhar Daiane, sem o menor traço de medo nos olhos.
Respondeu com voz calma e indiferente:
— Daiane, uma acionista que tem só meio por cento das ações, e ainda por cima recebidas do Roberto... se você pode se sentar aqui, eu tenho muito mais motivo para estar nesta sala.

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