— O papai... às vezes ficava muito ocupado. — Arthur não respondeu diretamente, esquivando-se com habilidade.
— E quando a mamãe ficava doente, o seu pai cuidava de mim? — Eduarda continuou insistindo.
— Mamãe... — Arthur de repente ficou muito sério. Esticou a mãozinha e tocou de leve o rosto de Eduarda. — Você tá meio diferente hoje.
O coração de Eduarda afundou. A sensibilidade do filho a surpreendeu e a deixou um pouco frustrada.
— Diferente como? — Ela só conseguiu fingir leveza.
— Hum... mamãe, você quer saber das coisas de antes do papai? — Arthur perguntou com cuidado, a voz carregando um traço de preocupação, como se temesse tocar num assunto proibido.
O coração de Eduarda falhou uma batida. Olhando para os olhos puros do filho, ela sentiu que não podia esconder nada dele.
— A mamãe só... — Ela tentou encontrar uma desculpa, mas as palavras lhe faltaram.
— Mamãe, eu quero que você seja feliz — Arthur fez uma pausa, e um traço de maturidade precoce brilhou em seu olhar. — Mas eu tenho medo que você se lembre de coisas tristes.
Ele olhou para a mãe:
— O papai é muito bom pra você agora. Eu acho que assim tá bom.
Eduarda ficou paralisada, sem saber o que responder.
— Mamãe, vamos tomar café da manhã! — Arthur mudou de assunto de repente. Ele não queria que a mãe continuasse se torturando com aquilo, muito menos vê-la triste.
Observando o filho, Eduarda compreendeu que não podia mais interrogá-lo.
Ficou claro que precisava buscar as respostas sozinha, em vez de tentar arrancar algo daquela criança.
— Está bem, vamos tomar café. — Eduarda respirou fundo e olhou para o menino, tomando uma decisão firme por dentro.
A verdade do passado precisava vir à tona, mesmo que trouxesse consequências desagradáveis. Ela precisava saber.
Os dois chegaram à entrada do prédio da empresa de Cícero.
Ao ver mãe e filho, uma surpresa agradável iluminou o rosto de Cícero. Ele se aproximou, abaixou-se para abraçar Arthur e, em seguida, voltou-se para Eduarda com uma ternura quase imperceptível no olhar.
Exatamente nesse momento, uma voz familiar soou:
— Eduarda? É você mesmo!
Ela olhou na direção da voz e viu um homem impecavelmente vestido de terno se aproximando. Era Rafael Duarte, um de seus antigos pretendentes.
Os olhos de Rafael ainda carregavam o mesmo ardor e afeto de antes. Ele sorria, e o olhar se demorava no rosto dela, como se buscasse algum vestígio do que existira entre os dois.
— Senhor Duarte. — Eduarda sorriu sem graça, dando um passo à frente e colocando Arthur atrás de si, num gesto protetor.
— Quanto tempo. — O olhar de Rafael se voltou para Arthur, com um toque de curiosidade, antes de ele exibir um sorriso educado. — E este quem é...

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