Enquanto o elevador subia, Eduarda afastou-se do lado de Cícero em total silêncio.
Cícero olhou para a própria mão e, sentindo-se um tanto sem graça, a recolheu. Depois de um instante, ele perguntou:
— Eduarda, você se lembra de já ter vindo à empresa alguma vez?
Eduarda lançou-lhe um olhar de total incompreensão:
— Eu não tinha nenhum motivo para vir ao seu local de trabalho, por que eu viria?
Ao ver a atitude dela, Cícero quis dizer algo, mas as palavras ficaram presas na garganta.
Antigamente, quando Eduarda o procurava no grupo, ele ainda não havia compreendido completamente seus próprios sentimentos, então o jeito que a tratava não era dos melhores.
Mais tarde, passou-se um longo tempo em que Eduarda quase não aparecia pela empresa.
Depois disso, a única vez que ela apareceu foi para falar sobre o divórcio.
Somando tudo, essas lembranças, obviamente, não eram agradáveis. O fato de Eduarda não se lembrar delas talvez fosse, na verdade, uma bênção.
Se ela não resgatasse essas más memórias do passado, seria possível que ele tivesse a chance de recomeçar do zero com ela?
Mas Cícero guardou esse pensamento só para si e não ousou tomar qualquer atitude. Não queria deixá-la infeliz.
O elevador chegou ao último andar, abrindo as portas com um som suave.
Eduarda foi a primeira a sair. Quando Cícero a acompanhou, seus olhos depararam-se com o escritório familiar, e uma ponta de melancolia o atingiu.
Damiano sugeriu ao lado:
— Senhor Machado, senhora, vamos esperar na sala de recepção por enquanto.
Como não havia objeções, os dois seguiram em frente. O pessoal da presidência rapidamente serviu chá e alguns petiscos.
Pouco tempo depois, a porta da sala se abriu novamente e, desta vez, quem entrou foi o próprio Roberto.
Quando Cícero o viu, um brilho perspicaz cruzou o seu olhar, mas desapareceu em um instante. O mesmo aconteceu com Roberto.
Antes de Cícero viajar para o exterior, a relação entre os dois nunca havia sido harmoniosa. Porém, agora que Cícero estava de volta, Roberto era obrigado a adotar uma nova postura.
Roberto deu uma risada alta e expansiva, encenando o papel do tio zeloso:
— Tio Roberto, a Eduarda veio comigo porque nós decidimos tentar reatar nosso relacionamento.
Eduarda sorriu suavemente ao seu lado.
Roberto pareceu um pouco surpreso:
— É mesmo? Fico feliz que tenham essa disposição. Afinal, vocês foram casados por um bom tempo, com certeza restou algum afeto.
Cícero concordou, mantendo o tom polido:
— O tio Roberto tem toda a razão.
Roberto tomou um gole do chá e comentou com aparente descaso:
— Outro dia, a minha secretária me mostrou algo e só então eu soube que a Eduarda é uma grande estilista. O tio Roberto aqui não fazia ideia. Se eu soubesse, teria conseguido um cargo de chefia para você no departamento de design em alguma empresa do Grupo Machado.
Com um sorriso cortês, Eduarda respondeu:
— É bondade sua, tio Roberto. Eu só tenho algumas habilidades na área porque calhou de eu ter estudado isso na época da faculdade. Não passa de um passatempo.

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