Ao longo do caminho, o cansaço de Eduarda, que ainda não tinha passado, fez com que ela adormecesse recostada no banco de trás. Damiano não ousou acordá-la, mas, mesmo quando chegaram à mansão, ela continuava dormindo.
Damiano falou em voz bem baixa:
— Senhora, chegamos.
Mas não houve resposta do banco de trás. Quando ele estava prestes a se virar para acordar Eduarda, ouviu-se uma leve batida no vidro do carro, baixa o bastante para que só ele percebesse.
Ao virar a cabeça, Damiano viu Cícero fazendo um gesto para que ficasse em silêncio, e entendeu na hora.
Cícero contornou o carro, foi até a porta traseira onde Eduarda estava e a abriu com cuidado. Então se inclinou, vendo de perto o rosto adormecido dela.
Ela parecia não estar dormindo tranquilamente, pois suas sobrancelhas ainda estavam franzidas.
Cícero soltou um leve suspiro, querendo estender a mão e desfazer todas as preocupações do rosto dela, mas com medo de acordá-la.
Passando um braço por trás das costas dela e o outro sob suas pernas, Cícero a ergueu com firmeza e a acolheu nos braços. Eduarda provavelmente estava exausta demais e, com os movimentos tão cuidadosos dele, apenas murmurou baixinho, sem abrir os olhos.
Ao ver aquele rosto adormecido e sereno em seus braços, o coração de Cícero amoleceu na mesma hora. O momento doce e precioso que ele mais desejava agora só acontecia quando Eduarda adormecia de puro cansaço.
Mas já era melhor do que nada.
Cícero sentiu que aquele momento o emocionava mais do que qualquer outro em toda a sua vida.
O Cícero do passado certamente jamais imaginaria que seria tocado por uma cena cotidiana tão simples. Nunca tinha sentido o coração tão preenchido por alguém.
A dona daquela casa finalmente havia voltado, e a casa pareceu se tornar completa num instante. Era como se a felicidade finalmente tivesse descido sobre ele; como se sua alma, de uma vez por todas, deixasse de se sentir solitária.
As emoções o inundaram de forma avassaladora. Os dedos de Cícero deslizaram com saudade pela pele pálida do rosto de Eduarda, e as pontas dos dedos chegaram até a tremer levemente.
O rosto adormecido de Eduarda era precioso demais aos olhos dele. Cícero se inclinou e depositou lentamente um beijo suave, terno e cheio de amor na testa dela.

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