O administrador foi rápido. Cícero pegou a tigela de sobremesa e deu alguns tapinhas nas costas de Arthur.
— Arthur, chega de chorar. Senta aqui e come um pouco — disse Cícero.
Arthur se mexeu, soltou o pai e, ao ver a tigela de doce à sua frente, seus olhos brilharam imediatamente.
Cícero sorriu. No fim das contas, ele ainda era uma criança; bastou ver algo gostoso para já ficar meio consolado.
Cícero entregou a sobremesa ao filho e disse com ternura:
— Come. Se chorar mais, seus olhos vão ficar inchados.
Ao pegar a tigela, Arthur fungou, finalmente parou de chorar e começou a comer.
Cícero ficou ao lado dele o tempo todo, até que a criança se acalmasse. E, depois de comer, Arthur parou de chorar de vez.
Cícero pegou um lenço de papel e limpou a boca dele.
Arthur fez muitas perguntas sobre os últimos dias de Cícero, e Cícero, com toda a paciência, respondeu a uma por uma, assumindo plenamente o papel de um bom pai.
O administrador e a babá observavam de longe pai e filho no sofá, sentindo-se reconfortados. Mas os dois, quase ao mesmo tempo, pensaram em outra pessoa: Eduarda.
A babá se emocionou e não conseguiu deixar de comentar:
— Seria tão bom se a senhora também estivesse aqui. Uma família tão unida e feliz faria inveja a qualquer um.
O administrador também pareceu tocado.
— É verdade. Que pena que, naquela época, a senhora disse que nunca mais voltaria. Já faz tanto tempo... acho que ela realmente não vai voltar.
Ouvindo as palavras daquela criança, Cícero percebeu o quanto tinha demorado para entender uma verdade que até mesmo Arthur compreendia com rapidez: Eduarda era a pessoa que realmente o amava.
Fosse Adilson, os outros membros da família Machado ou Weleska, todos pareciam amá-lo apenas sob certas condições.
Adilson esperava que ele se tornasse um líder qualificado; os outros membros da família Machado o temiam, mas precisavam da sua capacidade; e Weleska precisava da sua companhia e de todo tipo de apoio.
Mas apenas Eduarda, no passado, não queria nada dele. Ela simplesmente o amava, queria ficar ao seu lado, queria vê-lo feliz, e tudo o que fazia era por ele.
Cícero deu um sorriso amargo, rindo da própria cegueira no passado.
Como Arthur ainda o olhava cheio de expectativa, Cícero hesitou por um momento antes de responder:
— A sua mãe... ela anda um pouco ocupada ultimamente, mas logo vai voltar para ver você. Não fique ansioso, está bem, Arthur?

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