Pérola se ajeitou no banco, apreensiva.
— Tem certeza de que não quer que eu suba com você? Tenho medo de que lá dentro esteja um caos. Agora que sua identidade é pública, será que é seguro?
Eduarda, no entanto, parecia tranquila em relação a isso.
— Não se preocupe. Vai dar tudo certo. Fiquem tranquilos.
O Sr. Guerra acrescentou, em tom protetor:
— Tome cuidado. Qualquer coisa, é só ligar pra gente.
Ela assentiu, ajustou os óculos escuros no rosto e caminhou a passos firmes em direção ao imponente edifício do Grupo Nogueira.
Assim que entrou no saguão, Eduarda foi atingida por uma atmosfera pesada e sufocante, como se o ar estivesse carregado de tensão e cansaço.
Ela se aproximou da recepção e pediu que entrassem em contato com a presidência, avisando que precisava ver Franklin imediatamente.
A recepcionista perguntou com educação:
— Como devo anunciá-la, senhora? Preciso informar o assistente do presidente.
Eduarda retirou os óculos escuros e, no instante em que a recepcionista viu seu rosto, soltou um pequeno grito de surpresa.
Com calma, Eduarda instruiu:
— Diga apenas que a Ember voltou.
A recepcionista, obviamente, sabia muito bem quem era Ember e a relação dela com o presidente — ela era a futura esposa de Franklin. Com as mãos trêmulas de pressa, ligou imediatamente para o escritório executivo e logo recebeu autorização.
Ela mesma acompanhou Eduarda até o elevador privativo, aguardando de forma respeitosa enquanto as portas se fechavam.
Durante a subida, Eduarda refletia sobre a gravidade da situação. Tinha certeza de que Franklin estava atolado em problemas. Caso contrário, jamais teria ficado tanto tempo sem procurá-la.
Assim que o elevador chegou ao andar da presidência, Eduarda saiu apressada. A equipe do escritório veio recebê-la, mas ela dispensou qualquer formalidade.
— Como ele está? — perguntou diretamente.
O assistente explicou a situação de Franklin em detalhes. A cada palavra, o coração de Eduarda se apertava mais de aflição.
As palavras não tinham força nenhuma. Na verdade, o que existia ali era apenas a dor de tê-la arrastado para o meio daquela tempestade.
Engolindo a emoção que ameaçava transbordar, ela retrucou:
— Se eu não tivesse voltado, por quanto tempo mais você ia me esconder isso? O que está acontecendo, afinal?
Relutante em sobrecarregá-la, Franklin tentou minimizar a situação mais uma vez:
— Não é nada demais. Foram só uns dias muito corridos, por isso eu não consegui te ligar. Me desculpa.
Mas Eduarda segurou as mãos dele com firmeza, irredutível:
— Franklin, eu já sei de tudo. Foi a família Machado, não foi? Me conta os detalhes. Chega de me esconder as coisas. E não adianta tentar me afastar, porque desta vez eu não vou a lugar nenhum.
Franklin conhecia bem aquela determinação. Sabia que continuar mentindo não só seria inútil, como também injusto.
Sem alternativa, escolheu ser sincero. Puxou Eduarda suavemente para sentar ao lado dele e começou a relatar a tempestade que tinha caído sobre eles.
— Enquanto estávamos fora, o Roberto tomou o lugar do Cícero e virou o novo CEO do Grupo Machado. Agora ele concentra o maior poder dentro do conglomerado. O Adilson está com a saúde muito debilitada e já não tem força para controlar a empresa. Usando como desculpa a expansão de projetos, o Roberto começou a esmagar outras forças empresariais em Porto de Safira. Na prática, é uma campanha de sufocamento e aquisições hostis. E o maior espinho na garganta dele... somos nós, a família Nogueira.

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