Ao ver aquilo, Cícero retirou discretamente o próprio braço.
Weleska, temendo passar uma humilhação ainda maior, não insistiu em se agarrar de novo.
Ela olhou para Cícero e percebeu nitidamente que a mente dele não estava ali. Isso só fez o ódio que sentia por Eduarda crescer ainda mais.
Franklin viu Eduarda tocando a testa com a mão e perguntou, preocupado:
— Sua cabeça está doendo? Eu te levo ao médico.
Eduarda segurou o braço de Franklin, sorriu de leve e balançou a cabeça.
— Não se preocupe, não é nada sério. Foi só uma dor de cabeça passageira por tentar lembrar de algumas coisas. Já passou.
Ao ouvir isso, Franklin lançou o olhar para Cícero. No instante em que os olhos dos dois se encontraram, o choque entre eles foi quase palpável, como se nenhum estivesse disposto a ceder.
Franklin não queria que Eduarda ficasse ali nem mais um minuto. Tinha medo de que a saúde dela fosse afetada. Se ela estava com dor de cabeça, certamente era por causa de Cícero. Nos últimos tempos, Eduarda vinha se recuperando muito bem, e ele não permitiria que a presença de Cícero destruísse tudo isso.
Franklin olhou friamente para Cícero e disse:
— Se você tem alguma coisa para dizer, diga em outro momento, quando a Eduarda estiver melhor. Você não quer causar mais estresse a ela, quer?
O tom de Franklin trazia uma ameaça muito clara.
E funcionou. Cícero definitivamente não queria ser o motivo de qualquer mal para Eduarda.
Por isso, não disse mais nada e deixou que Franklin a levasse embora.
Claro, ele não pretendia deixar aquilo como estava. Mais cedo ou mais tarde, toda aquela situação precisaria ser esclarecida, e ele jamais desistiria de Eduarda.
Depois que Franklin e Eduarda saíram, só restaram no escritório Cícero e Weleska.
Weleska o observou e percebeu nitidamente que a cabeça dele não estava ali. Isso fez o ódio que sentia por Eduarda aumentar ainda mais.
O que tinha acontecido, afinal, para Cícero agir daquele jeito?
Agarrando-se ao braço dele e se recusando a soltar, Weleska perguntou:
— Cícero, você sabe o que está dizendo? Nós não íamos nos casar? Não, nós já fizemos a cerimônia, só que você não apareceu! Você não pode jogar fora todos esses anos de relação só porque a Eduarda sofreu um acidente de carro!
Weleska era absolutamente incapaz de aceitar aquelas palavras.
Se Cícero não pudesse se casar com ela, isso significava perder a família Machado como seu maior respaldo. Sem esse apoio, a família Castilho, e até os negócios obscuros que eles mantinham, deixariam de ser protegidos. A essa altura, perder um homem era o menor dos problemas; a família Castilho corria o risco de virar alvo por causa disso.
Weleska jamais permitiria que isso acontecesse. Além disso, se perdesse a família Machado, seria extremamente difícil encontrar outra família poderosa que a aceitasse. Afinal, ela e Cícero já tinham chegado ao altar. Que família influente se casaria com ela, comprando briga diretamente com a família Machado? Ninguém seria tão tolo.
Na mesma hora, Weleska forçou as lágrimas, olhou para Cícero com os olhos marejados e o abraçou sem soltar.
— Cícero, você deve estar cansado demais com tudo o que aconteceu ultimamente. O que a gente viveu não pode desmoronar assim tão fácil. Você por acaso esqueceu que o nosso laço é de vida ou morte? Desde que eu te salvei no mar quando éramos crianças, prometi a mim mesma que seria sua para o resto da vida. A promessa que você me fez também deveria valer do mesmo jeito.

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