Eduarda se aproximou do ouvido de Sabrina e sussurrou:
— O Franklin também veio. Ele está me esperando no carro, no estacionamento. Qualquer coisa, eu mando mensagem para ele. Fica tranquila.
Deu alguns tapinhas amistosos no ombro da amiga para tranquilizá-la, e isso finalmente convenceu Sabrina.
— Então eu vou na frente. Qualquer coisa, me liga.
— Combinado.
Eduarda observou Sabrina sair do escritório.
A porta se fechou automaticamente com um ruído abafado, e o clique metálico da fechadura eletrônica selou o ambiente. O escritório voltou a ficar completamente isolado.
Agora, apenas Cícero e Eduarda estavam ali dentro.
Apesar de o espaço ser amplo, a distância entre os dois parecia ainda maior.
Depois de se virar de costas para a porta, Eduarda lançou um olhar indiferente pelo escritório, sentou-se numa cadeira perto da janela e alternou o olhar entre Cícero e o assento à sua frente.
Cícero respirou fundo, caminhou até a cadeira em frente a ela e se sentou.
— Quer beber alguma coisa? Chá, café? Acho que você deve gostar de latte. Vou fazer um para você.
Assim que terminou de falar, levantou-se e foi até a bancada para pegar os grãos de café.
Eduarda o observou manusear a máquina com destreza, o que lhe causou certa curiosidade. Desde quando ele sabia preparar café? E, mais estranho ainda, por que estava fazendo aquilo por conta própria? Ela tinha pedido alguma coisa?
Apesar da surpresa, não estava com disposição para discutir por causa de uma simples xícara. Se ele queria se dar ao trabalho, problema dele.
Quando Cícero trouxe a xícara e a colocou diante dela, comentou:
— Não coloquei gelo. Lembro que você não gostava de bebida gelada... se eu não estiver enganado.
Eduarda baixou os olhos para a xícara sobre a mesa de vidro. Pegou-a devagar, levou-a até perto do rosto e sentiu o aroma em silêncio.
— Para de desperdiçar tempo com esse tipo de atitude sem sentido, Cícero. Diz logo o que você quer falar. Fala tudo de uma vez e depois para de me incomodar desse jeito. Você é realmente...
Eduarda ergueu o olhar e observou o rosto impecável dele por um instante. Ainda assim, concluiu sem a menor piedade:
— ...uma pessoa extremamente irritante.
Ela falou olhando diretamente nos olhos dele, sem desviar nem por um segundo, como se fizesse questão de deixar muito claro que aquilo era a mais pura verdade.
Cícero soltou um sorriso fraco. As palavras dela doeram profundamente.
Mas, para ele, o simples fato de ela ter aceitado sentar e ouvi-lo já parecia, à sua maneira, uma pequena vitória.
Com a voz embargada pela amargura, Cícero murmurou:
— Eduarda... já que você aceitou me ouvir, isso quer dizer que ainda pode me dar mais uma chance? Você faz ideia, Eduarda? Desde o dia em que você foi embora, não houve um único dia em que eu não imaginasse a dor que você deve ter sentido naquele acidente de carro. Eu nem sabia se você conseguiria acordar... nem se algum dia eu teria a chance de olhar para você de novo.

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