Ao ouvir que Arthur queria ver a mãe, Cícero pensou que, se o filho sentia falta dela, ele também ansiava desesperadamente por ver Eduarda.
Mas onde Eduarda estava? Ele não conseguia sequer encontrá-la, quanto mais levá-la de volta para ver Arthur. Era como querer o impossível.
Cícero sentiu inevitavelmente uma pontada no peito.
Ele respondeu ao telefone:
— Quando for possível, eu a levarei de volta. As coisas aqui fora ainda não estão resolvidas, então não posso voltar por enquanto.
O administrador não tinha mais nada a dizer e respondeu:
— Está bem. Cuide da sua saúde, senhor. Nós cuidaremos da casa aqui, não precisa se preocupar.
Cícero murmurou um assentimento, desligou e soltou um suspiro longo e pesado.
No Parque Tropical, por causa do fuso horário do Brasil, ainda era dia claro.
O administrador da casa também suspirou, virou-se e voltou para dentro da mansão. Weleska continuava em seu acesso de raiva, atirando objetos pelo chão. Quando viu o administrador se aproximando, seu semblante piorou ainda mais.
O administrador tentou acalmá-la:
— Sra. Castilho, o senhor está muito ocupado com o trabalho no momento e realmente não pode voltar. Assim que resolver as coisas por lá, ele retorna. Por favor, não fique tão irritada.
Weleska o encarou com um olhar gelado, e a raiva e o ressentimento em seus olhos ficaram impossíveis de esconder.
— Ocupado com o quê, exatamente? Faz tanto tempo que ele não volta para casa para me ver! Será que ele já se esqueceu de mim? Ou será que ele tem outra mulher lá fora?
Bastou colocar essa suspeita em palavras para Weleska começar a acreditar nela.
Será que o fato de Cícero não querer vê-la ultimamente significava mesmo que ele tinha outra pessoa?
E se essa pessoa fosse Eduarda?
Mas Eduarda já não o tinha deixado? Como ela poderia querer voltar para o lado de Cícero?
Uma vez plantada essa suspeita, Weleska não conseguiu mais ficar parada e perguntou ao administrador:
— Você sabe onde ele está agora?
— Ainda bem que essa Sra. Castilho foi embora. Talvez agora a gente tenha alguns dias de paz — resmungou a empregada.
O administrador não respondeu; apenas fez um gesto para que ela voltasse para dentro.
Weleska dirigiu diretamente para a Praia Dourada, propriedade da família Machado. Quando o antigo administrador da casa a viu, naturalmente não demonstrou muita simpatia, mas, por mais que não gostasse dela, ainda precisava recebê-la com educação.
— Onde está o Sr. Adilson? Eu quero ver o vovô — exigiu Weleska assim que desceu do carro.
Embora não fosse oficialmente casada com Cícero, Weleska já se colocava perante todos como companheira dele e, por isso, já não chamava Adilson de “Sr. Adilson”, tratando-o abertamente por “vovô”.
O velho administrador respondeu:
— O patrão saiu com o Arthur e ainda não voltou. A senhora quer entrar e esperar? Posso mandar preparar um chá.
Weleska claramente não gostou da resposta:
— Deixa para lá. Ah, a propósito, você sabe exatamente para onde o Cícero foi no exterior?
O velho administrador certamente sabia, mas, como sempre desconfiou de Weleska, não quis responder diretamente.

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