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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 433

Franklin ficou em silêncio por um instante, processando o que estava acontecendo. Ergueu os olhos para o andar de cima e depois voltou a se concentrar na sala.

Estava genuinamente surpreso por descobrir que a pessoa do outro lado da linha era Cícero.

A aparição repentina dele o pegou desprevenido por um segundo.

Como Eduarda não havia mencionado nada ao voltar, estava claro que Cícero tinha descoberto o número dela sozinho e agora estava invadindo sua vida sem o menor pudor.

Eduarda havia lutado tanto para sair daquele lamaçal do passado. Franklin jamais permitiria que Cícero a arrastasse de volta para aquilo.

O passado de Eduarda foi marcado por um sofrimento tão brutal que, mesmo sendo apenas um espectador, Franklin não conseguiu assistir impassível. Ele tinha visto de perto o estrago imenso que Cícero causou a ela.

Por isso, naquele momento, Franklin sentiu um enorme alívio por ter sido ele, e não Eduarda, a atender a ligação.

Franklin soltou uma risada fria, carregada de desprezo, e rebateu:

— Cícero, por que eu te daria qualquer explicação? Desde quando eu te devo satisfações?

O tom de Franklin era duro, e cada sílaba atingia em cheio a estabilidade emocional já frágil de Cícero.

Os olhos de Cícero se injetaram de sangue na mesma hora. Ele cerrou o punho com tanta força que os ossos estalaram.

— A Eduarda é minha esposa! Você se esqueceu disso? Eu já te avisei antes, Franklin. Fique longe do que é meu! Pense muito bem nas consequências antes de tentar encostar nela!

Cícero praticamente rugiu ao telefone, mas nem mesmo os gritos eram capazes de expressar o tamanho do ódio e da fúria que o consumiam por dentro.

Seu maior desejo naquele instante era aparecer diante de Franklin, arrancar Eduarda dali e apagar qualquer vestígio de proximidade entre eles.

A lógica de Cícero era simplesmente patética.

Franklin sentia um profundo incômodo diante daquela postura. Antes de levar Eduarda para fora do país, Cícero já tinha feito escândalos no hospital. Depois de tanto tempo, Franklin achava que ele já teria desistido, concluindo que tudo não passava de um impulso de culpa momentânea.

Afinal, Cícero sempre foi obcecado por Weleska. Não fazia o menor sentido abandonar Weleska só porque não conseguia encontrar Eduarda. Franklin simplesmente não conseguia entender essa lógica.

Será que Cícero realmente tinha voltado seus sentimentos para Eduarda, arrependendo-se apenas depois de perdê-la? Ou seria só o peso na consciência por tê-la visto definhar numa cama de hospital?

Aquilo era ridículo demais.

Cícero permaneceu em silêncio por um bom tempo, até retrucar com obstinação cega:

— Exatamente. Para mim, enquanto não houver a conclusão formal, não existe divórcio. Franklin, é melhor você ter um pouco de noção e devolver a minha mulher!

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