Damiano respondeu:
— Certo. O Sr. Machado não está no momento, mas eu vou repassar o recado.
Sabrina agradeceu e foi embora.
Damiano conferiu as horas, também saiu da empresa e dirigiu até o campo de golfe, onde ficou esperando Cícero terminar.
Cícero saiu acompanhado de alguns estrangeiros de terno, e a conversa parecia correr bem. Era raro Damiano ver Cícero demonstrar algum interesse genuíno por alguma coisa.
Desde o acidente de carro e o misterioso desaparecimento de sua ex-mulher, Cícero havia perdido completamente o foco no trabalho. Vê-lo assim trazia certo alívio a Damiano.
Quando Cícero se aproximou, Damiano abriu a porta do carro para ele.
No caminho, falou sobre o assunto de Sabrina. Cícero olhou para o relógio e perguntou:
— Temos algum outro compromisso na sexta-feira?
— Nenhum, Sr. Machado.
Naturalmente, Damiano já havia conferido a agenda antes de levar o assunto a ele.
— Certo. Então chegue mais cedo naquele dia — orientou Cícero.
Ele já começava a planejar mentalmente como conduziria as negociações com Sabrina e Ember na sexta-feira, para tentar convencê-las a trabalhar para a empresa.
Mas, enquanto pensava nisso, sua mente vagou sem rumo e acabou, como sempre, parando na imagem de uma única pessoa.
Por mais que tentasse se anestesiar no trabalho, preenchendo cada segundo para não ter tempo de pensar nela, Cícero ainda era incapaz de esquecer Eduarda.
O nome dela, gravado em seu coração, funcionava como uma maldição implacável. Bastava um instante de distração para a realidade voltar a esmagá-lo: ele continuava sem Eduarda, e essa ausência jamais deixava de doer.
Cícero sentiu um cansaço profundo na alma. Recostou-se no banco do carro e, mais uma vez, teve a sensação de que todas as coisas do mundo haviam perdido o brilho e o sentido, tornando-se insossas e vazias.
A saudade estava entranhada em seus ossos, torturando-o com a mesma intensidade da devoção que sentia por ela.
Tudo aquilo tinha sido culpa sua. Ele não podia culpar mais ninguém. Restava-lhe apenas o desprezo por si mesmo.
Às vezes, ele pensava que, se tivesse sido tratado daquela forma por Eduarda, provavelmente já teria ido embora muito antes. No entanto, ela suportou tudo, ficou ao lado dele por tanto tempo, e ele sequer foi capaz de perceber.
Talvez não houvesse homem mais tolo do que ele neste mundo.
O tempo passou depressa, e logo chegou a tarde de sexta-feira.
Eduarda contou a Franklin que iria jantar com Sabrina e o chefe dela.
Franklin não viu problema. Como era um compromisso profissional, realmente não faria sentido que ele a acompanhasse.
— Você vai ficar bem indo sozinha? Quer que eu te leve? — perguntou Franklin.
— Não precisa, é só um jantar. Eu volto rápido — respondeu Eduarda, enquanto ajeitava o cabelo.
Franklin foi para trás dela e, vendo aquela silhueta delicada refletida no espelho, se inclinou levemente, apoiou o queixo em seu ombro e, virando o rosto para sorrir para ela, disse:
— O seu CEO ainda não chegou? Será que ele vai nos deixar esperando?
O horário marcado já estava próximo, e Eduarda começava a ficar impaciente. Se aquele chefe não aparecesse, ela e Sabrina poderiam muito bem ir para outro lugar mais descontraído em vez de ficarem ali esperando.
Sabrina olhou o relógio e disse:
— Talvez ele tenha ficado preso no trânsito. Pelo que sei, o CEO não costuma faltar nem chegar atrasado.
Sem ter mais o que comentar, Eduarda se levantou:
— Então eu vou ao banheiro rapidinho. Se ele chegar, tenta segurar um pouco a conversa.
Sabrina assentiu:
— Uhum, pode ir.
Eduarda foi até o banheiro, que ficava na curva do corredor. Quando saiu, sentiu o ar do restaurante um pouco abafado e decidiu descer para tomar um pouco de ar fresco.
Não quis sair pela entrada principal, porque havia muitos garçons circulando por ali e ela não queria atrapalhar o serviço. Por isso, resolveu usar a porta dos fundos, que dava para o estacionamento.
Eduarda seguiu pelo corredor. Quando estava perto da porta, ouviu claramente o tilintar de um sino dos ventos — mas o som foi interrompido de repente.
Ela percebeu, então, que a luz à sua frente tinha sido bloqueada. Uma silhueta estava parada bem diante dela, imóvel.
Eduarda se irritou por um segundo, sem entender quem ficaria no caminho daquele jeito, e ergueu a cabeça.

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