Depois do concerto, a praia ainda recebia um festival musical ao ar livre, onde músicos e amantes da música trocavam experiências e aproveitavam juntos aquela atmosfera especial. Mais adiante, havia fogueiras, barracas de comida e, claro, uma área com brinquedos na areia para as crianças. Sabrina e Eson passeavam pela praia com os dois filhos.
Ao ver os dois se aproximando de mãos dadas, Sabrina cutucou Eson, e os dois começaram a aplaudir o casal:
— Parabéns! Ficamos muito felizes por vocês!
As crianças não entenderam o motivo da comemoração, mas a menininha, que já gostava muito de Eduarda, ao vê-la chegar, estendeu os braços pedindo colo.
Eduarda soltou a mão de Franklin, se abaixou e abraçou o corpinho macio da menina. A pequena sabia bem como conquistar os outros e, logo de cara, deu um beijo na bochecha de Eduarda.
— Tia, você é linda. Eu gosto muito de você — disse a garotinha mestiça, agarrada a ela.
Sabrina aproveitou para se aproximar mais e, em voz baixa, confirmou, para não haver mal-entendidos:
— Então vocês estão juntos agora? Desde quando?
— Sim — Eduarda assentiu. — Desde agora há pouco.
Sabrina sorriu, aliviada:
— Eu sabia que não estava enganada. Vocês realmente combinam. Era questão de tempo.
Eson, ao ouvir isso, concordou:
— Um casal perfeito, feitos um para o outro.
Usando algumas expressões brasileiras que tinha aprendido, Eson parabenizou os dois, e tanto Eduarda quanto Franklin aceitaram os elogios com um sorriso.
Franklin também se abaixou um pouco, e o garotinho pulou em seus braços. Ele o segurou com todo cuidado e delicadeza.
Eson comentou:
— Franklin, você vai ser um ótimo pai no futuro. Disso eu tenho certeza.
Aquela frase, dita de forma tão casual, caiu sobre Eduarda como um peso repentino, despertando nela uma reflexão imediata.
Até então, ela não tinha pensado tão longe. O clima e a emoção do momento haviam falado mais alto, e os dois simplesmente se aceitaram de forma natural.
Ela não tinha pensado muito.
Mas isso não significava que não existissem problemas.
Falando em filhos, Eduarda já tinha o pequeno Arthur e também carregava um casamento fracassado nas costas. Embora não houvesse mais sentimentos entre ela e Cícero, Franklin nunca tinha se casado nem tido filhos, o que fazia com que a situação dos dois parecesse desigual.
Se isso acontecesse, ela seria incapaz de lhe oferecer uma felicidade à altura, e sentiria que só estaria arrastando-o para o sofrimento.
Durante todo o caminho de volta, Eduarda ficou remoendo esse assunto. Como era sensível e observador, Franklin logo percebeu que havia algo errado.
— Eduarda, você parece preocupada. O que foi?
Os dois caminhavam sob as palmeiras, à beira da estrada, em direção ao estacionamento.
Eduarda hesitou por um momento, mas decidiu abrir o coração e dividir com ele seus receios, acreditando que enfrentar aquilo juntos seria o melhor caminho.
Ela expôs tudo o que estava pensando:
— Eu sei que talvez eu esteja pensando longe demais, afinal, a gente acabou de ficar junto. Mas isso vai surgir mais cedo ou mais tarde. Eu não tenho como apagar o meu passado, ele aconteceu. Eu não quero que a gente brigue por causa disso lá na frente, nem quero que você vire alvo dos outros. Não quero que você se machuque, e também não quero que você...
As últimas palavras ficaram presas em sua garganta.
Dizem que as mulheres costumam ser mais sensíveis emocionalmente nos relacionamentos, e Eduarda não era exceção. Quando se entregam de verdade, até uma pequena faísca pode virar um incêndio difícil de controlar.
Talvez o sentimento fosse mesmo assim: bastava um sopro para fazê-lo arder ainda mais.
Franklin entendeu as preocupações de Eduarda. Parou de andar e, num gesto suave, tocou de leve o lóbulo da orelha dela, como quem tentava confortá-la sem lhe causar pressão.

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