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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 410

Dessa vez, o representante da Flor de Ouro Fashion apenas sorriu, sem dar uma resposta clara.

Eduarda refletiu rapidamente e concluiu que aquilo devia ter sido uma decisão dos executivos de nível mais alto. Como eles não queriam entrar em detalhes, não havia motivo para insistir; afinal, o papel dela ali era apenas focar no design.

Ao deixar o prédio da empresa, Eduarda entrou no carro e decidiu dirigir pela cidade por mais algum tempo. Esse pequeno passeio acabou virando uma sessão de compras. Em pouco tempo, o porta-malas já estava quase transbordando de sacolas.

Quando finalmente chegou em casa e Franklin abriu o porta-malas para ajudá-la, ele ficou visivelmente surpreso.

— Pensei que você tivesse ido a uma reunião de negócios, mas pelo visto foi saquear o shopping — brincou.

Eduarda piscou, um pouco constrangida.

— Eu fui vendo as coisas, achei tudo bonito e acabei comprando.

Enquanto Franklin examinava as sacolas, percebeu algo curioso: tudo havia sido comprado em pares.

— Você comprou coisas para mim também? — perguntou.

— Comprei, sim! Dá uma olhada e vê se gosta — respondeu Eduarda, tirando as embalagens e mostrando cada item com entusiasmo.

Naturalmente, Franklin elogiou tudo, dizendo que o bom gosto dela era impecável.

Logo, Eduarda percebeu a estratégia dele.

— Você só está dizendo o que eu quero ouvir para me agradar, não é?

Franklin sorriu, com um olhar caloroso e gentil.

— Estou falando sério. Tudo o que você compra, eu gosto.

Ele então tirou da caixa o novo smartphone que Eduarda havia comprado. Pegou o aparelho preto, transferiu o chip do telefone antigo e o deixou sobre a mesa.

Eduarda fez o mesmo com o modelo branco. Quando os dois seguraram os aparelhos, ficou evidente que combinavam perfeitamente.

Enquanto olhava para os celulares, algo brilhou nos olhos de Eduarda. Ela olhou ao redor e percebeu que tudo o que havia trazido do shopping vinha em pares, sugerindo uma intimidade que nem ela mesma tinha colocado em palavras.

Sentindo as bochechas esquentarem, levantou-se de repente e caminhou em direção às escadas.

— Estou cansada. Vou subir para descansar um pouco. Não precisa me chamar para o almoço.

E, a passos rápidos, desapareceu no andar de cima.

Franklin observou a cena e, depois de alguns instantes, deixou escapar uma risada leve. Ele compreendeu perfeitamente o motivo da fuga apressada dela e sentiu o coração se encher de calor.

Por mais que tentasse esconder, há dores que vêm da alma. Tristeza e desgaste não podem ser mascarados apenas com roupas elegantes.

Damiano às vezes se perguntava por quanto tempo Cícero ainda aguentaria, caso não encontrassem Eduarda logo. Tinha medo de que, um dia, ele também acabasse desaparecendo dentro da própria melancolia.

Damiano lhe entregou o paletó, que Cícero vestiu em silêncio antes de seguir para a saída do hotel.

Na empresa, o secretário de Igor Gattas tentou alertá-lo:

— Gerente Gattas, o novo diretor-geral da filial vai chegar em breve. O senhor não vai se preparar?

Igor Gattas estava largado na cadeira, com os pés sobre a mesa. Tragou o cigarro, soltou um anel de fumaça e sorriu com desdém.

— Me preparar para quê? Ele é só um cachorro enxotado pelo presidente. Você acha mesmo que ele merece um comitê de boas-vindas?

Ele não fazia questão de esconder o desprezo por Cícero.

O secretário, tossindo por causa da fumaça, não se atreveu a repreendê-lo, mas continuou tentando convencê-lo:

— Gerente Gattas, o novo diretor carrega o sobrenome Machado. Acho melhor deixarmos uma boa impressão. É melhor não ofendê-lo logo no primeiro dia.

Ao ouvir isso, Igor Gattas ficou ainda mais irritado. Já estava furioso havia dias. Antes, era o rei absoluto daquela filial e fazia o que queria. Agora, ter que engolir um superior imposto e ainda baixar a cabeça para “aquele moleque” era algo que seu orgulho não conseguia aceitar.

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