Ao tentar confortá-la, Franklin não pôde evitar uma ponta de decepção no coração. A reação exagerada de Eduarda deixava claro que, naquele momento, ela ainda não estava pronta para aceitá-lo daquela forma.
Mas não havia problema. Ele não queria forçar nada. Esperaria até que ela estivesse preparada e se sentisse à vontade para falar sobre esses sentimentos; só então se declararia de verdade.
Embora tivesse feito uma brincadeira, havia sinceridade em suas palavras, e seria mentira dizer que ele não ficou um pouco abatido. Ainda assim, não queria demonstrar isso e estragar o humor de Eduarda. Apenas se certificou de que a dor da queimadura havia diminuído para que ela pudesse continuar comendo.
A pedra de gelo derretia lentamente na boca de Eduarda, e o frescor pareceu acalmar também sua mente, trazendo-a de volta ao equilíbrio.
Depois de um longo momento, ela pegou os talheres novamente e mexeu discretamente no arroz do prato antes de murmurar baixinho:
— Não foi por causa do que ela disse. Eu só fiquei com vergonha.
Franklin ouviu aquilo e parou por alguns segundos. Aos poucos, um brilho de esperança surgiu em seus olhos.
— Você quer dizer que... você também...
Eduarda não respondeu com palavras; apenas assentiu em silêncio. As pontas das orelhas voltaram a ficar avermelhadas.
Ao observar aquilo, um sorriso involuntário apareceu nos lábios de Franklin.
Aquela atitude mostrava claramente que ela já não o rejeitava como antes. Se era assim, então ele ainda tinha uma chance de verdade.
Por um breve instante, sentiu uma onda de emoção e quase quis insistir para ouvir uma confirmação mais direta.
Mas Eduarda não queria continuar presa àquela atmosfera de vulnerabilidade e decidiu mudar de assunto:
— Eu falei com a Pérola mais cedo. Decidi entrar em contato com a Flor de Ouro Fashion para discutir uma possível colaboração. O que você acha?
Franklin, entendendo a deixa, preferiu não pressioná-la e respondeu com seriedade:
— Acho uma ótima ideia. Você pode conversar com eles e decidir se quer ou não fechar a parceria. Se nada por aqui te agradar, sempre podemos nos mudar para outro país ou para outra cidade.
Na verdade, para ele, o lugar não importava, desde que ela estivesse feliz. Ele não se prendia a fronteiras.
— Vou conversar com eles primeiro antes de decidir — continuou Eduarda. — Mas o que me intriga é que eles nunca aceitaram colaborar com designers de fora e, de repente, abriram uma exceção para mim. Franklin, você acha que pode haver algo errado por trás disso?
— Sr. Machado, não se angustie tanto — tentou consolá-lo. — Talvez ela ainda esteja na cidade e nós é que ainda não a encontramos. O senhor pode ir assumindo a nova empresa enquanto espera notícias das equipes de busca.
Cícero não respondeu. Sabia que, por enquanto, essa era sua única opção; não havia mais nada que pudesse fazer.
A dor e a tortura da saudade não davam trégua em seu coração. Desde o dia daquela chuva torrencial que levou Eduarda para longe, seu sofrimento nunca havia cessado.
A tempestade lá fora já tinha passado havia muito tempo, mas a chuva dentro da alma de Cícero continuava caindo sem piedade.
Águas geladas e cortantes golpeavam seu coração sem parar.
Eduarda tinha sido como uma estrela brilhante, iluminando todo o seu mundo. Agora que ela havia desaparecido, o mundo perdera a luz e a cor, deixando apenas uma escuridão vazia e o desamparo de não saber o que fazer.
O peito de Cícero ardia. Havia um nó em sua garganta, um gosto amargo e sufocante que ele não conseguia nem engolir nem pôr para fora. Aquela dor o torturava, como se lhe roubasse todo o ar.
“Onde você está? Pode me deixar ao menos ver você, nem que seja só para eu saber se está bem?” — ele implorava em silêncio, torcendo para que os céus lhe concedessem ao menos um pequeno raio de esperança.
Ele não tinha outra escolha senão continuar procurando sem parar. E tinha certeza de que a encontraria. Queria lhe dizer tudo o que carregava no coração, confessar sua culpa, seu arrependimento e... o quanto sentia falta dela.

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