Cícero foi instalado em uma acomodação temporária, que também era a suíte presidencial de um hotel. Como já estava acostumado com esse tipo de arranjo, não fez objeções.
Enquanto as buscas continuavam, decidiu ir conhecer a nova empresa. Mesmo sem muito entusiasmo, afinal, ele havia aceitado a nomeação.
Então encarregou Damiano de entrar em contato com a filial, planejando assumir as funções no dia seguinte.
Sentado, Cícero observava a paisagem lá fora, sentindo uma melancolia profunda invadir seu coração.
Ele disse a Damiano:
— Vá cuidar dos preparativos primeiro. Vou dar uma volta sozinho.
Damiano hesitou:
— Mas...
— Não tem problema, pode ir — disse Cícero, dispensando-o. Vestiu um sobretudo leve, saiu e dirigiu até um parque muito famoso da região.
Ao mesmo tempo, em outro lugar, Eduarda e Franklin Nogueira também haviam saído, porque Franklin tinha prometido levá-la para soltar pipa.
— As pessoas adoram soltar pipa. A maioria faz isso nos parques. É ótimo para relaxar e aliviar um pouco o estresse do trabalho — disse Franklin enquanto dirigia.
Eduarda olhou para ele e riu:
— Eu não estou tão estressada assim. Se você dissesse que só queria me levar para passear e me distrair, eu ficaria ainda mais feliz.
Franklin riu:
— Nada escapa de você, espertinha.
Eduarda acompanhou o riso:
— Mas é bom. Ficar trancada no escritório desenhando projetos já estava me cansando um pouco. É bom sair e relaxar.
Franklin se lembrou de algo e perguntou:
— Como estão as negociações com as empresas parceiras?
— Há duas que me agradam bastante. Vou me reunir com elas nos próximos dias — disse Eduarda. — Na verdade, tem uma que me interessou muito. As condições que eles ofereceram foram surpreendentemente boas. Não sei se ficaram realmente encantados com o meu trabalho ou se existe outro motivo, mas estou bem inclinada a fechar com eles.
Aproveitando que Franklin estava estacionando o carro, Eduarda pegou os documentos sobre essa empresa e os entregou a ele.
Franklin apenas deu uma olhada rápida, sem comentar muita coisa, limitando-se a um sorriso leve e discreto.
— Tente relaxar um pouco as mãos, vá com calma, assim...
Eduarda e Franklin controlaram juntos a linha e, pouco depois, a pipa realmente subiu ao céu, misturando-se às outras que já voavam pelo ar.
Animada, Eduarda comentou:
— Dá para ver que você não brincava disso quando era criança. Quando eu era pequena e não tinha muita opção de diversão, costumava ir soltar pipa sozinha. Eu também adorava colecionar essas pipas... ai!
Enquanto falava, Eduarda não percebeu que ainda segurava a linha junto com Franklin. Ao se virar, acabou esbarrando de frente nele.
Ela quase podia sentir o calor do corpo de Franklin e o perfume suave que ele usava, nada enjoativo; ao contrário, passava uma sensação reconfortante.
Franklin, naturalmente, também sentiu o corpo macio e perfumado em seus braços, e seu coração disparou. Quando Eduarda se virou e quase tropeçou em uma pedra, ele passou o braço ao redor da cintura dela, firmando-a e puxando-a para perto.
Num piscar de olhos, já não havia distância alguma entre os dois. Era como se pudessem sentir os batimentos um do outro.
Ao erguerem os rostos, seus olhos se encontraram. Um sentimento não dito atravessou o olhar dos dois, como se o resto do mundo tivesse desaparecido.
No entanto, ao longe, um par de olhos os observava atentamente.

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