A secretária de Roberto Machado foi ao departamento de Recursos Humanos do grupo, procurou o gerente e transmitiu a ordem de Roberto.
— O CEO quer que a nomeação do Sr. Cícero Machado para a filial no exterior seja concluída. Resolva isso ainda esta manhã e leve o documento para o CEO assinar.
Ao ouvir aquilo, o gerente de RH hesitou:
— E qual é a posição do presidente do conselho? Não podemos tomar uma decisão leviana sobre uma nomeação desse porte.
A secretária o pressionou:
— Você está questionando uma decisão do CEO? Se quiser, pode muito bem confirmar com o secretário do presidente do conselho.
Depois disso, ela não disse mais nada e apenas aguardou a confirmação.
O gerente de RH, naturalmente, não se atrevia a aprovar sozinho uma nomeação tão importante. Afinal, quem era Cícero Machado? Ele havia sido o principal líder do grupo, não alguém que um simples gerente pudesse transferir como bem entendesse.
Por isso, o gerente de RH realmente entrou em contato com o secretário de Adilson Machado, e a resposta foi bastante clara.
— Sim, essa é a vontade do presidente do conselho. Ele quer que o Sr. Cícero Machado ganhe mais experiência na filial no exterior.
— Certo, certo, entendi perfeitamente — respondeu o gerente de RH. Em seguida, com um sorriso bajulador, voltou-se para a secretária de Roberto: — Vou providenciar isso imediatamente.
A secretária revirou os olhos, virou-se e foi embora.
Antes mesmo do fim da manhã, o gerente de RH levou o documento de nomeação para Roberto assinar no escritório do CEO. Depois, foi ao escritório do presidente do conselho para carimbar o selo oficial, tornando a nomeação formalmente válida.
Logo em seguida, entrou em contato com Damiano Villar para que ele entregasse o documento a Cícero.
Sem alternativa, Damiano mandou alguém levar a papelada até o hotel.
Naquele momento, Cícero estava no escritório da suíte do hotel, olhando para o vazio, perdido em pensamentos. Quando Damiano bateu à porta, ele não reagiu.
— Sr. Machado? — Damiano bateu mais duas vezes, até que Cícero enfim permitiu sua entrada.
Cícero olhou para a pasta nas mãos de Damiano e perguntou:
— O que é isso?
Damiano colocou a pasta diante dele e respondeu, um pouco tenso:
— É o seu documento de nomeação para a filial no exterior.
Cícero ia abrir a pasta, mas sua mão parou no ar ao ouvir aquilo. Ele ergueu os olhos:
— Eu já não disse que não tenho interesse?
Damiano respondeu, impotente:
Cícero apenas respondeu:
— Avô, pode cancelar isso. Não me importa mais.
A atitude de Cícero irritou profundamente Adilson. Ele até quis tentar argumentar com o único neto, mas percebeu que seria inútil.
Adilson explodiu:
— Cícero! Você está cego de teimosia! Não entra juízo nessa sua cabeça, é isso? Muito bem! Então vá para o exterior esfriar a cabeça e não volte tão cedo!
Depois de desligar, Adilson mandou imediatamente seus homens ao hotel onde Cícero estava e providenciou um jato particular para levá-lo embora.
Cícero se recusou de todas as formas e chegou a entrar em confronto físico com os homens de Adilson. O resultado era previsível: embora não o tenham arrastado à força, ele ficou coberto de hematomas e cortes, assustando quem o visse.
Ao ver aquilo, Damiano sugeriu:
— Sr. Machado, vou chamar o Dr. Braga para examinar o senhor.
Cícero, porém, fez um gesto com a mão:
— Não precisa. Deixe assim. Não foi nada grave.
— Mas continuar desse jeito e piorar ainda mais a sua relação com o presidente do conselho não é bom para o senhor — Damiano não pôde deixar de comentar.

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