Vô Helton acenou com a mão:
— Não importa, ninguém saberá de nada se mantivermos segredo. Por mais formidável que seja aquele rapaz da família Machado, não temos nada a temer. Vamos apenas viver a nossa vida em paz. Quanto a Franklin, acredito que ele tenha noção do que está fazendo. Não preciso me preocupar com isso, pois confio nele.
O mordomo assentiu:
— Então vou mandá-lo entrar.
— Vá em frente.
Vô Helton concordou com um aceno de cabeça.
Cinco minutos depois, Cícero entrou no jardim de inverno que Vô Helton cultivava com tanto zelo, exalando uma aura hostil. Assim que o viu, foi direto ao ponto e exigiu saber onde ela estava.
— Senhor Helton, peço desculpas pela intromissão hoje. Vim buscar minha esposa para levá-la para casa. Por favor, faça-me a gentileza de revelar onde ela está.
Vô Helton deu um leve sorriso:
— Meu filho, não sei do que você está falando. Sua esposa não está aqui comigo.
Cícero intuiu que Vô Helton estava se fazendo de desentendido e insistiu:
— Franklin levou a minha esposa e o telefone dele está inatingível. Como não consigo encontrá-la, não tive outra escolha a não ser incomodá-lo para pedir ajuda nas buscas. Minha esposa ainda corre risco de vida e não pode continuar suportando esse tipo de transtorno.
— Oh, entendo.
Vô Helton abaixou o regador e sentou-se:
— Mas, meu filho, eu realmente não sei de nada sobre isso. Franklin também não entrou em contato comigo, receio que não poderei ajudá-lo.
Ao mesmo tempo, Vô Helton tirou o celular do bolso e, na frente de Cícero, ligou para Franklin. O resultado foi o mesmo: a chamada não completou.
Com Vô Helton chegando a esse ponto, Cícero não pôde dizer mais nada.
Ele sempre soube que Vô Helton vivia recluso do mundo atualmente; parecia que ele não se importava mais nem com os assuntos mundanos da família.
Afinal, Franklin e Vô Helton eram da mesma família. Ele não tinha como ter certeza se eles mantinham contato em segredo, mas, naquele momento, não havia mais nada que pudesse argumentar.
Sendo assim, ele apenas disse:
— Se por acaso o senhor souber do paradeiro da minha esposa, por favor, mande alguém me avisar.
Vô Helton assentiu com um sorriso:
— Certo, pode ir.
Cícero teve que ir embora. Vô Helton observou a silhueta dele se afastando e balançou a cabeça.
Vô Helton ordenou ao mordomo:
— Mande alguém proteger Franklin e a jovem. Não permita que ninguém os incomode.
Ele pegou suavemente uma das mãos de Eduarda. Ainda havia marcas evidentes e vermelhas de ferimentos que não haviam desaparecido, que se destacavam de forma gritante e traziam uma trágica beleza contrastando com sua pele pálida.
— Eduarda, não sei quando você vai acordar. Mas não tenha medo, eu estarei sempre aqui ao seu lado. Ninguém mais poderá incomodá-la. Apenas descanse bem e deixe o resto comigo.
Franklin falava em um tom extremamente baixo, como se temesse despertar a pessoa de seus sonhos.
Porém, essa preocupação era desnecessária; Eduarda não conseguia acordar no momento.
Ele ainda se lembrava das palavras do médico:
— Senhor Nogueira, não temos certeza de quando a Senhora Barbosa acordará ou se haverá alguma outra reação quando isso acontecer. Os ferimentos do acidente de carro foram gravíssimos. Além disso, a saúde dela já era frágil e, com a perda do bebê, o corpo simplesmente não suportou tantos traumas. Contudo, faremos o nosso melhor no tratamento. No momento, o quadro da Senhora Barbosa é estável e as chances de ela despertar são altas. O Senhor Nogueira precisa ter esperança; isso também fortalece a paciente. Conversar com ela frequentemente pode ajudá-la a acordar mais rápido.
Foi por isso que Franklin ignorou as consequências e levou Eduarda embora. Ele precisava garantir que ela repousasse em paz para que pudesse acordar e se recuperar totalmente.
Franklin pegou a mão dela, que agora tinha um pouco de calor, levou-a aos lábios e depositou um beijo suave.
— Eduarda, descanse bem. Tenha bons sonhos.
Ele sussurrou suavemente, ajeitando as cobertas em volta dela.
Eduarda permanecia deitada, com a expressão serena e a respiração calma e ritmada.
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De volta ao país de origem, Cícero ordenou a Damiano que mobilizasse todos os recursos possíveis para encontrar o paradeiro de Eduarda.

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