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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 358

Eduarda reduziu a velocidade e aliviou a pressão sobre o acelerador ao avistar um recuo plano logo após a curva, mas o destino reservava um golpe implacável.

Enquanto ela tentava encostar suavemente em meio à tempestade torrencial, uma caminhonete preta surgiu em alta velocidade na contramão, descendo a ladeira diretamente em rota de colisão com o seu carro.

O motorista desgovernado berrava com toda a força de seus pulmões:

— Saiam da frente, pois os meus freios falharam nesta descida!

Sem tempo para hesitar, Eduarda girou o volante com fúria, atirando o carro para o recuo plano numa manobra evasiva que deixou a traseira suspensa no ar, bastando apenas esperar a caminhonete passar para que ela reacelerasse e retomasse o controle.

Eduarda soltou um longo suspiro de alívio, mas o pânico na voz do motorista adversário voltou a ecoar na chuva.

— Não consigo controlar, a chuva está forte demais e o carro não obedece!

O que se seguiu foi o baque metálico de um impacto catastrófico.

O sistema de segurança acionou os airbags instantaneamente, mas a violência colossal do impacto esmagou a resistência do veículo, lançando a consciência de Eduarda numa espiral vertiginosa de trevas.

Todos os sons do mundo emudeceram num piscar de olhos, fazendo com que a chuva diluviana parecesse suspensa no ar e congelando a realidade numa eternidade de gelo.

O saguão do Aeroporto Internacional de Porto de Safira fervilhava com a agitação frenética de milhares de passageiros.

O silêncio luxuoso imperava na exclusiva sala de embarque VIP.

Weleska acariciou os seus longos e sedosos cabelos negros antes de abrir um sorriso encantador para o homem elegante ao seu lado:

— Cícero, espere um instante enquanto eu dou um pulo no banheiro.

Cícero ergueu os olhos e concordou com um aceno contido:

— Vá em frente.

Weleska agarrou a sua bolsa de grife e desfilou para fora do ambiente com um sorriso doce esculpido no rosto.

Assim que a porta se fechou, a doçura desapareceu de sua expressão, dando lugar a uma urgência calculista enquanto ela sacava o seu telefone secreto no banheiro vazio e discava aquele mesmo número suspeito.

Ela sibilou impaciente:

— Alô, como terminaram as coisas por aí?

O tom outrora arrogante do homem do outro lado desmoronou numa confissão acovardada:

— Peço desculpas, Sra. Castilho, mas o plano fracassou porque aquela mulher ignorou a vida do irmão e chamou o 190, deixando-me de mãos atadas agora que a polícia entrou no circuito.

A fúria distorceu as feições de Weleska:

— Como você se atreve a receber o meu dinheiro e falhar numa tarefa tão patética quanto dar um jeito na Eduarda!

O criminoso tentou se justificar desesperadamente:

— Eu juro que tentei de tudo, mas os tiras chegaram metendo o pé na porta, e eu até fui espiar na delegacia para ver a mulher indo embora de carro enquanto o irmão dela provavelmente apodrecerá na cadeia, então o máximo que posso fazer é devolver parte do dinheiro, Sra. Castilho.

O ódio venenoso faíscou nos olhos de Weleska:

— Eu acho que exagerei no sorvete e agora a minha barriga está doendo muito.

O gerente de atendimento do aeroporto, ciente do mal-estar do herdeiro da família Machado, aproximou-se rapidamente:

— Sr. Machado, nós possuímos um posto médico totalmente equipado à sua disposição, então não gostaria de levar o pequeno Arthur para uma avaliação, já que ainda temos bastante tempo antes do embarque?

Constatando a indisposição real do menino, Cícero assentiu com a cabeça e ergueu Arthur nos braços, acomodando o rostinho infantil contra o seu ombro largo.

Ele ordenou com firmeza:

— Mostre-me o caminho.

Cícero lançou um olhar por cima do ombro para Weleska e aconselhou:

— Fique aqui e descanse, pois eu levarei o Arthur ao médico e retornarei em breve.

Weleska abriu o seu sorriso mais doce e dócil:

— Claro, estarei esperando por vocês.

A máscara de simpatia de Weleska desintegrou-se no exato segundo em que as costas de Cícero desapareceram pelo corredor.

A tempestade seguia o seu curso inclemente lá fora.

A fúria implacável daquela chuva torrencial parecia longe de encontrar o seu fim.

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