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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 338

Damiano assentiu, contornou o veículo, assumiu o volante e começou a seguir o trajeto de Eduarda em um silêncio cuidadoso.

A perseguição discreta só cessou quando eles viram Eduarda entrar em segurança no próprio veículo.

Cícero recostou-se no banco de trás e fechou os olhos para descansar um pouco, enquanto Damiano mantinha-se respeitosamente calado para não incomodá-lo.

Após um longo período de reflexão, Cícero abriu os olhos e ordenou:

— Retorne para a Praia Dourada.

Havia assuntos inacabados que precisavam ser discutidos com o seu avô.

Seu avô com certeza exigiria a confirmação de que os papéis haviam sido assinados e os trâmites do divórcio iniciados.

O carro de luxo fez uma curva impecável e seguiu velozmente na direção da Praia Dourada.

Quando Cícero chegou à propriedade da Praia Dourada, encontrou Adilson no jardim, cuidando zelosamente de suas plantas e flores.

Cícero aproximou-se e tomou o regador das mãos de Adilson, oferecendo-se:

— Deixe que eu cuido disso, vovô.

Adilson aceitou a ajuda e acomodou-se em um banco próximo para descansar.

O velho administrador da casa trouxe um café quente e o colocou sobre a mesa, permitindo que Adilson tomasse um gole e finalmente relaxasse.

O patriarca questionou:

— E então, como foi, você e Eduarda já resolveram todas as formalidades?

Cícero parou o movimento de regar as plantas por um segundo, assentindo lentamente:

— Sim, está tudo resolvido, e buscaremos os papéis definitivos daqui a um mês.

Adilson prosseguiu:

— Hum, isso é bom. E quando você pretende formalizar as coisas com a Sra. Castilho, já tem alguma ideia em mente?

Cícero permaneceu em absoluto silêncio.

Na verdade, ele ainda não havia dedicado um segundo sequer de reflexão a esse assunto.

Durante os últimos dias, ele estivera fugindo desesperadamente dos próprios problemas, embora soubesse que a fuga não duraria para sempre.

Cícero esquivou-se:

— Eu ainda não pensei sobre isso, falaremos a respeito mais tarde.

Adilson o encarou com desconfiança e tentou persuadi-lo com palavras calculadas:

— Cícero, você não deveria estar indeciso agora, pois não há mais ninguém para impedi-lo de realizar o sonho que alimentou por tantos anos, e se já pode se casar com a mulher que sempre quis, por que ainda hesita?

Ouvir aquelas palavras do avô causou um forte abalo nas defesas de Cícero.

Era a mais pura verdade que, por muito tempo, ele manteve Weleska no pedestal como a única dona do seu coração.

Agora, o caminho estava livre de obstáculos, sem Eduarda e sem a interferência de qualquer outra pessoa.

Então, por qual motivo ele ainda estava mergulhado em tantas dúvidas?

Cícero sentia cada vez mais que suas reações estavam fugindo completamente de qualquer lógica racional.

Tudo o que ele conseguiu fazer foi oferecer uma garantia vazia ao avô:

Cícero foi invadido por um frio incomum que penetrava até os ossos.

Ele levantou-se rumo ao armário de bebidas, pegou duas garrafas ao acaso, abriu-as com violência e voltou para a janela, bebendo direto do gargalo num desespero descontrolado.

O álcool é famoso por aquecer o corpo, e logo uma onda de calor começou a se espalhar por suas veias.

Mas o álcool também tem o poder de ferir, e não importava o quanto ele bebesse ou quão embriagado ficasse, aquele frio em sua alma e em sua mente permanecia intacto.

Ele sabia muito bem onde os seus pensamentos estavam ancorados e quem dominava o seu coração.

A imagem de Weleska estava completamente ausente, dando lugar a uma presença constante e torturante de Eduarda.

Fosse uma obra do destino ou um simples castigo, o fato é que a figura de Eduarda recusava-se a abandonar a sua mente.

Cada pequeno detalhe da convivência deles no passado, bem como a frieza cortante do divórcio iminente, projetavam-se em sua mente como um filme sem fim.

O sorriso de Eduarda, as suas lágrimas, todas as suas expressões brilhavam em sua memória com uma nitidez cruel.

Cícero pressionou a mão contra o próprio peito e deixou escapar uma risada carregada de dor e desespero.

Aquela era, sem sombra de dúvidas, a sua mais justa punição.

Ele havia ignorado a pessoa que agora ele ansiava valorizar, mas que não lhe daria sequer uma fagulha de oportunidade.

Ele havia estrangulado a própria chance com as suas próprias mãos impiedosas.

E ele não tinha absolutamente ninguém para culpar além de si mesmo.

Era como se a sua única fonte de calor vital tivesse desaparecido, deixando-o fadado a um congelamento eterno.

O frio lancinante já havia dominado cada fibra de seu corpo, restando apenas a ardência momentânea do álcool na sua garganta para criar uma ilusão passageira de calor.

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