Cícero podia ver perfeitamente o que Rafael e Eduarda faziam e sobre o que conversavam.
A distância entre as duas mesas não fazia a menor diferença.
Ao mesmo tempo, os colegas que jantavam ao lado olhavam na direção deles e sussurravam entre si.
— Meu Deus, alguém pode me explicar essa situação? Eu perdi alguma grande notícia?
— Ninguém tem a menor ideia, e eu também queria muito saber que escândalo é esse. Será que existe algum triângulo amoroso entre o Sr. Duarte, Eduarda e Cícero?
— Quem sabe? Vamos observar mais um pouco e ver no que dá.
Do lado de Eduarda e Rafael, o clima era tenso.
Assim que Eduarda viu Cícero se sentar, uma onda de raiva a dominou instantaneamente.
Ela finalmente entendeu o que a gerência do hotel pretendia com aquela disposição de mesas.
Eles queriam apaziguá-la de um lado, enquanto satisfaziam os caprichos de Cícero do outro.
Um nó se formou no peito de Eduarda e, no instante em que ia se levantar para discutir com o gerente, uma mão grande pousou suavemente sobre a sua para acalmá-la.
Era a mão de Rafael.
Eduarda ergueu o olhar e encontrou o sorriso aberto e luminoso de Rafael.
— Não se preocupe com isso, vamos apenas focar no nosso jantar. — Consolou Rafael.
Rafael lançou um olhar para Cícero, que também os encarava fixamente.
Rafael soltou uma risada contida e ergueu uma das sobrancelhas.
Sem dizer mais nada, ele voltou sua atenção inteiramente para Eduarda.
Ele serviu um pouco de comida no prato dela, um gesto silencioso pedindo que ignorasse as pessoas irrelevantes ao redor.
Eduarda retribuiu o sorriso e começou a comer.
— Sr. Machado, o senhor gostaria de dar uma olhada no cardápio e escolher algo? — Perguntou o gerente do hotel, em pé ao lado da mesa de Cícero, segurando o menu com extrema cautela.
— Traga qualquer coisa. — Respondeu Cícero com indiferença, sem sequer olhar para o cardápio.
Com o coração acelerado de nervosismo, o gerente ordenou que servissem os pratos mais caros e exclusivos do hotel, exigindo qualidade impecável da cozinha.
Do outro lado, o garçom que havia ido buscar o vinho se aproximava empurrando um carrinho.
O gerente estava prestes a servir a bebida já decantada quando Cícero cobriu a taça de cristal com a mão.
O funcionário o olhou com profunda confusão.
Rafael sabia perfeitamente que Eduarda não se sentia bem.
— Que pena que ela não está bem e não pode beber. Sendo assim, nós mesmos a tomaremos. — Disse ele em um tom de lamento deliberado.
Rafael apontou para os colegas na outra mesa e instruiu o garçom a servi-los.
Os olhos dos funcionários se arregalaram ao ver a garrafa, pois nunca haviam provado um vinho importado daquele nível.
— É por conta do Sr. Machado! Todos agradeçam a ele! — Gritou Rafael, acenando para os colegas com um sorriso no rosto.
Os colegas se aproximaram rapidamente da mesa de Cícero com as taças erguidas para brindar e agradecer.
Em questão de segundos, Cícero foi completamente cercado por aquela multidão.
Do outro lado, Rafael e Eduarda continuaram a comer em absoluta tranquilidade.
A raiva ferveu no peito de Cícero enquanto ele encarava aquele bando de desconhecidos intrometidos.
A atitude de Eduarda e Rafael o deixou tão furioso que ele cerrou os punhos com força.
Após dispersar a multidão, ele olhou na direção de Eduarda com uma expressão sombria e aterradora.
Cícero se levantou abruptamente e marchou até a mesa dela.

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