Os dedos de Patricio Palmeira estavam gélidos, e sua voz parecia carregar o peso de um inverno rigoroso quando perguntou:
"Mariana, me diga. Desde quando?"
Mariana Gomes soltou um suspiro leve, sua voz serena ao responder:
"Patricio, foi naquela noite em que você me levou até a porta de casa e bagunçou meu cabelo. Naquele dia, Caio Dantas estava em casa. Como nós dois sempre mandávamos gente para vigiar um ao outro, ele sabia de cada passo meu."
As sobrancelhas de Patricio Palmeira se contraíram, seus olhos se moviam inquietos enquanto seus lábios tremiam levemente. Era evidente que ele não conseguia aceitar que tudo aquilo havia acontecido por sua causa.
"Você… o que está dizendo? Você quer dizer que Caio Dantas bateu em você por… por minha causa? Porque ele achou que havia algo entre nós? Então… ele te agrediu por isso?"
Os olhos de Mariana Gomes encontraram os dele, cheios de choque e incredulidade:
"Sim. Por isso, Patricio, de agora em diante, qualquer coisa, falamos por telefone."
Ela não sabia, não compreendia, tampouco tinha certeza se a primeira vez que Caio Dantas a agrediu tinha sido, de fato, por causa de Patricio Palmeira.
A única coisa que ela podia afirmar com certeza era que a segunda agressão fora, sim, por causa dele. Mas e a primeira? E aquela última? Ela realmente não sabia.
Mas, independentemente da razão, ela compreendia que não podia mais ficar tão próxima de Patricio Palmeira. Não, na verdade, ela não podia ser vista perto de homem algum. Qualquer contato poderia acender o estopim para outra sessão de violência doméstica…
O peito de Patricio Palmeira subia e descia pesadamente enquanto ele tentava controlar a respiração. Suas mãos, fechadas em punho ao lado do corpo, tremiam levemente antes de se apertarem com força.
Se Caio Dantas estava sempre atento a cada passo dela, então naquele dia, quando ele insistiu em vê-la assim que ela voltou ao país… naquela noite também…
O pensamento o atingiu como um soco no estômago. Ele se recusava a seguir essa linha de raciocínio, mas a fúria crescia dentro dele, incontrolável.
"Eu vou matá-lo."
A voz era firme, serena até, mas carregava uma determinação inquestionável.
Dizendo isso, ele se virou, prestes a cruzar o salão da festa.
Mariana Gomes segurou seu braço. No instante em que seus olhos encontraram os dele, ela viu algo que jamais imaginara presenciar naquele olhar sempre gentil: uma intenção assassina brutal, impossível de ignorar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Destino do Coração: Única Prova da sua Existência
História emocionante, mas infelizmente não ficaram juntos Caio e Mariane...