— Certo, eu entendi.
Zélia virou-se, bastante desapontada. A recepcionista, como se tivesse lembrado de algo, falou novamente:
— Com licença, a senhora é a Srta. Zélia?
Zélia virou-se novamente e respondeu:
— Sim, sou eu.
Assim que ouviu a confirmação, a atitude da recepcionista mudou completamente.
— Srta. Rocha, o Sr. Nunes deixou instruções de que, caso a senhora viesse, não precisaria marcar horário. Pode entrar diretamente.
— Obrigada.
O coração de Zélia se aqueceu. Esse era o Gilberto de sempre, aquele que sempre a colocava em primeiro lugar.
Fora do alcance de Zélia, a recepcionista suspirou aliviada, batendo no próprio peito.
Ainda bem, ainda bem que ela reconheceu a tempo. Caso contrário, se o Sr. Nunes soubesse que ela havia barrado a pessoa querida dele, certamente teria sérios problemas!
A secretária também conhecia Zélia. Todos sabiam que o Sr. Nunes mantinha uma foto da Srta. Rocha em sua mesa de trabalho e sempre repetia às secretárias que, caso a Srta. Rocha aparecesse, deveriam recebê-la da melhor forma possível e avisá-lo imediatamente.
— Srta. Rocha, deseja beber alguma coisa? Prefere um café ou outra bebida?
— Tem leite? Só um copo de leite, por favor.
— Sim, sim, temos. Por favor, aguarde um momento, Srta. Rocha.
A secretária logo trouxe um copo de leite e alguns petiscos.
— Srta. Rocha, sente-se aqui um instante. Vou avisar o Sr. Nunes agora mesmo.
Zélia lembrou-se de que a recepcionista mencionara que Gilberto estava em reunião e rapidamente chamou a secretária.
— Não precisa chamá-lo, eu espero aqui por ele.
— Está bem, Srta. Rocha, vou sair então. Qualquer coisa, é só me chamar.
Zélia sentou-se na cadeira de Gilberto. Sobre a mesa, havia uma foto dela, mas era da época da universidade. A imagem não estava muito nítida, parecia ter sido tirada às escondidas.
— Zélia, você já sabe de tudo.
— Sei, eu sei de tudo. Por que você nunca me contou? Por quê?
Zélia já chorava sem conseguir se controlar. Gilberto estendeu os braços, acolheu Zélia e beijou o topo de sua cabeça.
— Eu só não queria que você sentisse qualquer peso. Salvá-la foi uma decisão minha, de coração. Não quero que você se culpe por isso.
Gilberto sempre pensava em Zélia, preferindo sofrer sozinho a vê-la ferida, mesmo que fosse minimamente.
Zélia segurou a gola da camisa de Gilberto com uma mão, enquanto com a outra batia no peito dele.
— Idiota, idiota, Gilberto, seu idiota, por que você é tão bobo assim?
Como poderia existir alguém tão bobo a ponto de ela não conseguir resistir?
Ela disse:
— Gilberto, vamos namorar.

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