— Gilberto, eu posso te beijar?
Gilberto ficou completamente paralisado, com a mente em branco.
Ao perceber que Gilberto permanecia imóvel, Zélia aproximou-se dele com cautela, ficou na ponta dos pés e envolveu seu pescoço com os braços.
No instante em que seus lábios um tanto ressecados tocaram os dele, o paletó que Gilberto segurava caiu ao chão, seu corpo ficou ainda mais rígido e sua mente mergulhou em confusão.
Foi a primeira vez que Zélia tomou a iniciativa de beijar alguém, e ela o fez de maneira bastante inexperiente e desajeitada.
Ela se recordou dos movimentos de Gilberto ao beijá-la antes, e, imitando-o, abocanhou-lhe os lábios, sugando-os com força. Um leve som sugestivo chegou aos seus ouvidos, e, naquela penumbra, suas orelhas já estavam completamente ruborizadas.
Ninguém sabia ao certo quanto tempo se passou até que Gilberto, subitamente, arregalou os olhos. Com a mão direita, segurou aquela cintura flexível, girou o corpo e a encostou contra o carro, assumindo o controle da situação, dominador e intenso.
Gilberto sentiu como se estivesse sonhando, mas as sensações vívidas que experimentava lhe diziam que aquilo era real.
Ao ser pressionada e beijada por Gilberto daquela forma, Zélia só então percebeu o quanto ele vinha se controlando. Agora, com a iniciativa dela, o estopim havia sido aceso, e tudo explodira de uma vez.
Zélia não sabia por quanto tempo aquele beijo durou; só percebeu que, ao final, sua língua estava dormente e seus lábios ardiam de tanto formigamento.
Ela nem precisava olhar para saber o quanto sua boca estava inchada e vermelha.
Assim, permaneceu nos braços de Gilberto, exausta e dependente, olhando para ele.
Ele a envolveu pela cintura com a mão esquerda, apoiou a mão direita em sua cabeça e, inclinando-se, depositou um beijo no topo de seus cabelos.
— Zélia, aconteceu alguma coisa?
Aquela Zélia era frágil, diferente do habitual.
Ele estava genuinamente preocupado com ela.
Aquela atitude não combinava com ela.
— Desculpe-me.
— Por que está me pedindo desculpas? — respondeu Gilberto, segurando uma das mãos de Zélia, envolvendo-a com sua palma larga. — Você não precisa se desculpar comigo. Você pode fazer qualquer coisa comigo. E, Zélia, estou realmente muito feliz que tenha feito isso.
Gilberto sabia que Zélia tinha barreiras emocionais muito fortes. O fato de ela ter dado esse passo em direção a ele era, para ele, motivo de imensa alegria.
Ela disse: "Gilberto, você é mesmo um bobo." Talvez, no amor, todos, diante da pessoa amada, estivessem dispostos a serem bobos.
Zélia não sabia em que momento adormeceu; só sentia que, com Gilberto ao seu lado, estava absolutamente tranquila, como se, independentemente do que acontecesse, enquanto ele estivesse ali, ela não precisasse se preocupar com nada.
Quando percebeu que Zélia havia adormecido, Gilberto aumentou a temperatura do carro, reclinou o banco, cobriu-a com o paletó e, também reclinando seu próprio assento, ficou de lado, observando Zélia atentamente, sem desviar os olhos por um instante sequer.

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