O homem tinha um porte altivo e imponente. Vestia um traje formal irrepreensível: por cima de um terno escuro, usava um longo sobretudo de caxemira da mesma cor.
A luz quente que emanava do telhado da loja projetava-se de forma difusa, deixando o perfil dele parcialmente imerso na penumbra.
Ainda assim, era possível notar claramente a linha reta do nariz e o contorno afiado do maxilar.
Seus olhos escuros pareciam as profundezas do oceano, exalando uma indiferença gélida e inalcançável.
Tanto o corpo quanto o rosto do homem eram de uma perfeição rara, mas o que realmente capturava a alma era a aura nobre e opressiva que o envolvia.
Bastava um olhar para sentir uma reverência involuntária, uma presença de puro domínio.
O homem baixou levemente os olhos na direção dela. O brilho do poste de luz refletiu-se em suas pupilas, carregado de uma intensidade afiada.
Luana voltou a si num solavanco. Desviou o olhar rapidamente e, sentindo-se constrangida, ergueu a mão para ajeitar o cabelo, um reflexo de seu nervosismo subjacente.
Ela já tinha visto muitos homens bonitos; o próprio Luciano tinha um padrão estético bem alto.
Mas não esperava ser tão impactada pela presença de um homem como naquele momento.
Ficou inevitavelmente sem graça.
Felizmente, ele caminhava a passos largos, e os dois apenas se cruzaram.
O que ela não percebeu foi que, ao virar sutilmente o rosto, o homem notou as pontas das orelhas dela completamente vermelhas, emolduradas pela gola de pelo branco do casaco.
Luana apressou o passo e entrou na loja.
Ela conhecia o casal de idosos há mais de uma década e já os considerava parte de sua própria família.
Os dois também a tratavam como se fosse uma neta querida.
Se havia algo no mundo que Adriana não havia conseguido lhe tomar, talvez fossem apenas aqueles dois velhinhos.
Anos atrás, ao descobrir que Luana era próxima deles, Adriana apareceu no ateliê toda animada algumas vezes.
No entanto, ela rapidamente perdeu o interesse: vivia reclamando que o beco era sujo, que os idosos eram chatos e faladores, e que a alfaiataria era cafona. Nunca mais pisou lá.
Naquela época, Luana ansiava desesperadamente por compartilhar todas as pessoas e coisas da sua vida com Adriana.
E o resultado desse compartilhamento foi que Adriana conquistou, num piscar de olhos, as graças de todos os parentes e amigos.
As pessoas que antes eram próximas de Luana passaram a preferir a irmã, afastando-se dela gradativamente.
Aos poucos, os donos da alfaiataria se tornaram a única fonte de calor humano ao redor de Luana naqueles anos difíceis.
Enquanto ela conversava com os dois, ouviu-se um ruído vindo da porta.
Luana abaixou a cabeça para olhar o celular, ocultando a surpresa em seu olhar.
Aquele homem transbordava uma aristocracia e um orgulho inatos, destoando completamente daquela pequena e humilde alfaiataria.
Mas o tom de Olívia ao falar com ele denotava uma familiaridade curiosa.
Luana não sabia qual era a relação entre eles e, focada em comparar as cores dos materiais de que precisava, tratou de afastar esses pensamentos.
— Luana, o que acha deste aqui?
Olívia sentou-se ao lado dela.
As duas começaram a conversar em um tom de voz suave.
Após escolher os itens necessários, Luana se levantou para ir embora.
Para ela, aquela loja era um refúgio acolhedor.
No entanto, talvez por conta da presença daquele homem que irradiava um poder avassalador, a atmosfera parecia ter mudado.
Embora ele permanecesse em total silêncio, Luana sentia a força opressiva de sua figura; o ambiente todo parecia ter ficado subitamente minúsculo e sufocante.
— Vovó, eu já vou indo...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Desprezada pelo Ex, Desejada pelo Magnata
Pq tá bloqueado do 30 até o 144, e não bloqueado do 145 até o 165?...
Não vai abrir os capítulos gratuitos? Quero muito ler!...
Vai ter atualização?...
Esse livro é muito bom! Libera mais capítulos grátis por favor!...