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Desprezada pelo Ex, Desejada pelo Magnata romance Capítulo 81

O casal de adotantes ficou, sem dúvida, chocado com a notícia.

Sem lhes dar mais atenção, Clarice simplesmente amparou Luana e a tirou dali.

Bastava ver a atitude daquelas duas pessoas em relação a Luana para deduzir o tipo de vida que ela havia levado até então.

Desde o ensino fundamental, ela sempre conseguiu bolsas de estudo, e suas notas no vestibular foram excelentes. Mesmo assim, aquele casal não demonstrava um pingo de amor por ela.

Isso sem falar no contraste gritante com a forma como tratavam a filha biológica.

E agora, depois de ter se casado com Luciano, ela ainda precisava passar por um inferno desses.

Como era possível que todas as desgraças do mundo desabassem sobre ela?

Os olhos de Clarice ficaram vermelhos.

Ela era uma mulher de fibra, uma advogada que já havia lidado com incontáveis casos difíceis ao longo de sua carreira. No entanto, Luana era a primeira cliente a despertar nela uma dor tão profunda e genuína. Isso se devia tanto à crueldade do que ela havia sofrido quanto à própria essência de quem Luana era.

Ao chegarem à delegacia, refizeram todos os procedimentos burocráticos necessários para o dia.

A policial que as atendera no dia anterior garantiu a Clarice que, mesmo que o caso não fosse tipificado criminalmente como estupro marital, o uso de violência por parte de Luciano e as lesões causadas a Luana eram incontestáveis. De um jeito ou de outro, ele sofreria as sanções da lei.

Ao saírem da delegacia, Clarice levou Luana diretamente para uma clínica particular.

O que Luana não sabia era que o médico que a atenderia ali era Zaqueu. O mesmo homem que havia aplicado o soro nela no iate.

Clarice também não fazia ideia de que os dois já se conheciam. Ela apenas escolhera aquele lugar por achar os trâmites de hospitais grandes muito burocráticos; Zaqueu era um médico brilhante, o local era discreto e sem aglomerações, o que pouparia muito tempo.

A febre de Luana já beirava os trinta e nove graus. Sua mente estava completamente nublada. Assim que se deitou na maca, ela apagou.

A clínica funcionava com uma eficiência impecável. Uma enfermeira foi designada exclusivamente para administrar a medicação intravenosa de Luana.

Clarice ligou para Bruna, pedindo que ela viesse ajudar a cuidar da amiga.

Enquanto isso, em seu consultório, Zaqueu já estava ao telefone com Ulisses.

Não demorou muito para que alguém batesse levemente na porta do quarto onde Luana estava.

Clarice pensou que Bruna havia chegado rápido demais.

— Mas já... — ela começou a dizer, enquanto abria a porta.

O resto da frase morreu em sua garganta.

Quem estava ali era Ulisses.

Clarice lançou um olhar para trás, verificando que Luana continuava dormindo profundamente, e abaixou o tom de voz:

Clarice ficou sem palavras.

— Você é realmente... Agindo assim, ela nunca vai saber o que você fez. Não vai haver gratidão.

— O que eu faço não é para que ela veja e me aplauda. Faço porque é o que deve ser feito — Ulisses declarou, o tom não admitindo questionamentos. — Cuide bem dela.

— Eu não vou poder ficar. Tenho uma audiência agora e preciso sair correndo. Mas já liguei para a Bruna, ela está a caminho.

— E ela sabe cuidar de alguém?

Uma leve nota de insatisfação perpassou a voz de Ulisses.

— Pelo amor de Deus, eu também trabalho, sabia? E de onde você tirou que eu sou melhor cuidadora do que a Bruna?

— Você é alguns anos mais velha.

— Ser dez anos mais velha não muda nada nisso. A Bruna é a melhor amiga dela, Luana vai se sentir muito mais à vontade com ela.

Só então a expressão tensa de Ulisses pareceu relaxar um pouco.

— Aproveite que ela não acordou para dar mais umas olhadas — Clarice brincou, com um sorriso de canto. — Vou indo, está bem?

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