Às vezes, quando parava para pensar, ele até admirava a própria audácia.
Ele voltou a si, a fúria ressurgindo, e caminhou a passos largos em direção a Luana.
— Luana!
Ao ouvir o estrondo, Luana virou-se para olhá-lo.
A luz do sol dançava em seus cabelos, envolvendo-a em uma aura pálida. Suas feições pareciam cobertas por um véu, conferindo-lhe uma beleza quase irreal.
Luana guardou os rascunhos de desenho que estavam sobre a mesa e perguntou:
— Aconteceu alguma coisa?
Ela não estava satisfeita com o que havia desenhado e sentia-se um tanto dispersa.
Pensava em sair para comprar tecido e linha; queria fazer um edredom para Adriana.
No fundo, ela ainda não conseguia simplesmente ignorar as questões da irmã.
Afinal, haviam sido os pais de Adriana que a haviam criado.
— Você ligou para a Adriana? Disse a ela que vamos nos divorciar?
Luciano apoiou as mãos na mesa, olhando-a de cima com superioridade, o tom carregado de exigência e escárnio.
Luana sustentou o olhar dele.
— A pessoa que você ama não sou eu. Ainda existe alguma razão para o nosso casamento continuar?
Luciano agarrou o queixo dela com força, a voz destilando gelo:
— Só agora você percebeu que eu não amo você? Três anos atrás, você nunca deveria ter se casado comigo!
— É, eu me arrependi.
Ao encarar aquele rosto de uma beleza serena e inquestionável, observando os cílios longos e espessos dela, a irritação no íntimo de Luciano só fez crescer.
— Você se arrepende? Quem deveria estar arrependido sou eu!
Luciano a soltou bruscamente, deu alguns passos de um lado para o outro, arrancou a gravata sem cerimônia e a jogou em um canto qualquer.
— Se não fosse por você, eu já estaria com a Adriana há muito tempo!
Luana desviou o olhar para a janela e murmurou suavemente:
— Ela não ficaria com você.
— Tudo por sua causa! É exatamente por sua culpa que a Adriana faz questão de manter distância de mim!
Ela nunca sentiu inveja pelo fato de Adriana ser a filha biológica de seus pais adotivos.
Pelo contrário, a Adriana que retornou a olhava como se encarasse uma inimiga mortal.
Às vezes, Luana até se pegava pensando se o seu casamento com Luciano não havia sido também uma artimanha de Adriana.
Mas ela não conseguia entender o porquê.
Sim, Adriana desprezava Luciano, mas poderia muito bem tê-lo mantido por perto, fazendo-o de estepe devotado.
Adriana tinha essa capacidade.
Caso contrário, não teria roubado todos os amigos de Luana logo no ano em que voltou.
Não havia necessidade de forçá-lo a ser seu cunhado no papel, cortando de vez qualquer possibilidade de um romance e fechando todas as portas.
A menos que Adriana tivesse outros planos.
Porque, hoje, Luana a conhecia muito bem: Adriana jamais dava um passo sem um propósito obscuro.
Então, será que o seu desejo de divórcio esbarrava em algum interesse de Adriana?
Mas qual seria?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Desprezada pelo Ex, Desejada pelo Magnata
Pq tá bloqueado do 30 até o 144, e não bloqueado do 145 até o 165?...
Não vai abrir os capítulos gratuitos? Quero muito ler!...
Vai ter atualização?...
Esse livro é muito bom! Libera mais capítulos grátis por favor!...