Por fim, o uivo de uma sirene rasgou o silêncio sufocado pela neve. Matheus ergueu Denise nos braços e correu para fora, as botas afundando no pó branco até colocá-la dentro da ambulância. Só quando as portas do hospital os engoliram ele ousou respirar de forma constante.
Os médicos a deitaram em uma maca, fizeram exames, aplicaram soro, prescreveram antivirais e depois a internaram em uma ala de isolamento.
“Febre alta e influenza. Por que trouxe ela tão tarde?”, repreendeu o médico plantonista, a caneta riscando furiosa pelo prontuário.
Matheus piscou, atordoado. “Influenza? E-Eu não sabia.”
“Já faz dois, talvez três dias. Não percebeu?”, o médico insistiu, julgando-o.
“Juro que não.” A voz de Matheus encolheu até virar um sussurro. “Se eu tivesse percebido, teria trazido antes.”
Nada além da verdade soava naquela confissão. Se soubesse, nada o teria mantido longe da emergência.
“Vocês só podem ser destemidos ou descuidados. Se a condição dela piorar, vai ser problemático”, resmungou o médico antes de se afastar pelo corredor, o jaleco esvoaçando como uma bandeira irritada.
As últimas palavras ecoaram atrás dele e depois sumiram com seus passos.
Matheus despencou na cadeira de metal ao lado da cama, as mãos entrelaçadas mas inquietas, pronto para passar a noite como sentinela.
Denise abriu os olhos, emergindo de sonhos febris para o clarão branco do antisséptico. O teto acima dela parecia infinito, uma folha de neve iluminada por lâmpadas fluorescentes.
Virou a cabeça. Por todo lado havia mais lençóis engomados, uma jarra plástica, um emaranhado de monitores piscando em verde. O cheiro cortante de desinfetante impregnou suas narinas, revelando onde estava muito antes que sua mente alcançasse.
“Isso é... um hospital?”
A confusão apertou sua testa. Ela havia adormecido no apartamento barato que alugava no centro, e agora se via cercada por máquinas zumbindo e paredes estéreis.
Na cadeira ao lado, Matheus se endireitou de repente, quase derrubando o copo que segurava. O vapor subia da borda enquanto ele o estendia para ela.
“Graças a Deus”, murmurou, meio repreensão, meio alívio. “Sua febre finalmente baixou. Você me deixou apavorado.”
Só então, pela pressa na explicação dele, Denise conseguiu juntar as peças. Recordou a febre, o delírio e tudo mais.
Ela tentou se erguer, cada músculo protestando. “Vamos, já estou bem. Vamos pra casa.”
“Você está brincando?” As palavras de Matheus saíram lentas e afiadas. “O médico disse que você pegou uma gripe forte, com pneumonia já começando. Querem te manter em observação por alguns dias.”
“Alguns dias?”
Seu rosto se fechou em preocupação.
É só uma gripe forte, nada sério, repetiu para si mesma, o peito apertando ao imaginar o total.
Por fim, ele assentiu com um breve gesto. “Tudo bem.”
“Aqui, bebe”, disse, aproximando o copo dos lábios dela.
Ela envolveu os dedos frios no copo de papel e tomou um gole, a água morna com um leve gosto metálico.
“Para de se preocupar com a conta”, acrescentou Matheus. “Eu dou um jeito. Ganhei uma boa quantia ultimamente.”
Ela sacudiu a cabeça. “Não posso aceitar seu dinheiro. Você mesmo disse que ainda está cheio de dívidas. Pague o que deve primeiro. Vai saber, essas pessoas podem precisar mais do que eu.”
Os ombros dele cederam num suspiro silencioso.
A montanha que devia era tão astronômica que cortar um por cento já parecia impossível, mas ele não disse nada. Apenas firmou mais o aperto no copo e se aproximou da beira da cama.
“Mmm, eu sei”, disse Matheus, contendo o tremor no peito. “Já sei como vou resolver isso.”
Levantou-se e forçou um sorriso torto. “Vou até o banheiro. Se precisar de algo, me chama.”
Matheus saiu para o corredor, os bolsos abarrotados de pensamentos inquietos, a porta se fechando atrás dele com um clique seco.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despedida de um amor silencioso
interessante diz que os capítulos até 2267 são gratis, mas tem alguns que não estao. exemprlo 2219, 2220 e outros que gratuidade é essa?...
Cúmulo do absurdo vocês não acham, fazer os leitores chegarem até aqui e ficar mais de 3 meses sem atualização? Como ser uma leitora vip? Eu não me importo de pagar, porém acho uma falta de responsabilidade a falta de atualização....
quando teremos novos capítulos?...
oi quando vao atualizar?...
Atualizacao please...
Meu Deus kkkkk uma criança de no máximo 4 anos, entra num avião sozinha kkkk rindo muito, desistindo da história. Fantasiosa de mais, mesmo pra uma criança superdotada kkkkk sem noção...
Estou no capítulo 2132 e só agora resolvem fazer cobrança??? É piada? Porque não tem um pingo de graça. A história fica se arrastando com a chegada de novos personagens, o enredo dos antigos personagens fica um bom tempo esquecido e quando retomam, é de forma rápida, com textos incompletos, que exigem muita atenção e força de vontade para acompanhar. Os episódios a partir de 2100 parecem ter páginas extraidas, com situações suprimidas do texto, comprometendo a compreensão da história. Se ainda tiver que pagar, eu desisto!...
Ainda bem que não cheguei a muito já vou abandonar prefiro pagar mensalidade no Kildre leio a vontade OBRIGADO AS LEITORAS QUE CHEGARAM ATE AQUI MUITO MAIS QUE EU PRA ME CHEGA...
quando os novos cpítulos vao ficar grátis como os demais?...
boa tarde quando sera a próxima atualização? já tem mais de um mês que não há nenhuma...